
Agora que penso, os meus melhores amigos… Quem entendia quando vinha triste ou alegre do intervalo ou do fim de semana, em quem eu reconhecia os sentimentos nas expressões, quem me confidenciava as glórias e as derrotas da sua existência juvenil…
Tudo isto numa partilha de um espaço tão reduzido, mas tão nosso, apesar de nos ter sido imposto: a mesa!
Sei que nos encobríamos um ao outro nas conversas, quando os professores nos chamavam a atenção, era mesmo injusto quando os repreendiam só a eles, por serem rapazes, e eu ser a menina tímida e bem comportada da turma (talvez a cara de anjo que sempre detestei ter também ajudasse) partiam sempre do pressuposto que eram eles que me desencaminhavam…
Lembro-me de fazer com os meus pares de carteira o duo perfeito…
Lembro-me de um professor de português ter-me apelidado de “coração” e dizer que ao meu lado estava a “ razão” (não sei onde foi buscar tal ideia =)), (aliás se ele soubesse o percurso que nos esperava destituía-nos o título) o mesmo professor que nos incentivou insistentemente (um bonito eufemismo para obrigar) aos dois a participar num concurso literário…
Mas sei que às vezes também tenho razão quando dou por mim a ser invadida por aquele sentir espontâneo!
Sei que tenho razão!
E também descobri que “a razão” tinha um grande coração =)
Não é sempre assim?
Os meus dois amigos… Grandes! Não os esqueço não! E hoje vi que eles (que não se conhecem um ao outro, mas sei que se iriam dar bem) também não fazem por me esquecer =)
Será coisa do coração?




































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