segunda-feira, julho 20, 2009

II

Ray era observador, gostava muito de observar...

"Um dia ele levantou-se e gravou numa fita tudo o que as pessoas diziam na rua.
Passou o dia às voltas, a entrar e a sair de autocarros e a entrar em todos os grandes estabelecimentos. Depois voltou para casa.
Gravou coisas como:

Nunca, talvez sim, isso também me interessa, tudo o que quiseres e por agora nada, continuo à espera, não acredito que tenhas forças, dou-te amanhã, não há dinheiro, não há dinheiro, não há dinheiro, vai-te embora, vem, vai-te embora, volta, estou sozinho, já não me interessa, ganhámos, tu dizes-me cada coisa, corre, corre, corre, demasiado tarde, demasiado cedo, tivesses dito, outra vez sozinho, se não fosse tão bonito, deus sabe que tentei, ninguém sabe quanto, não me ama, um trabalho novo, sapatos novos, carro novo, quase nem posso mexer as mãos, sou jovem, já não sou tão novo, que esquisito, sozinho, se não chover ou se calhar chove... e no princípio e no fim da gravação:

Amo-te, já não te amo."

Ray Loriga

Nada era Claro!
Sabia que as (nossas) preferências mudam muitas vezes... E que a poesia só tem magia se não for clara.
As suas palavras preferidas estavam contidas na vida!
Aliás, quando observou Clara conheceu-lhe o silêncio eufórico de quem perde (a timidez)...
Sim, Clara estava habituada a perder....

E, mais uma vez, Ray observou que o mundo, é tudo menos Claro!

(ganharam-se um ao outro _ por quanto tempo, não se sabe...)


terça-feira, julho 14, 2009

(Vi)Ver as coisas

O olhar perante a vida tem sempre a forma e a vontade que quisermos adoptar. Ou nos dispomos a olhar em frente e com um sorriso animado sobre as coisas a cada dia ou, simplesmente, nos deixamos vencer pelo cansaço contínuo e acumulado e, qualquer momento (novidade ou rotina) nos vence enquanto o relógio avança e, deixamos de ter o que contar com entusiasmo. Cai-se na banalidade do discurso "foi uma seca!" "queria era ter ficado em casa!" entre outras quantas frases que me arrepiam as entranhas cada vez que as ouço.



Ver as coisas, vivê-las porque queremos que sejam vividase aproveitadas são as prioridades de um desafio enorme. O cansaço existe e nem sempre pode ser contrariado o sono mas, porque não dispensar algumas horas de descanso para dedicar a algo mais que possa tornar o dia e o bem-estar diferente?

Fica sempre a decisão entre aquilo que faz bem e aquilo que apetece realmente fazer (e acaba sempre por fazer bem de alguma maneira).



(Vi)Ver é querer procurar a novidade no que nos surge como proposta e que nos desafia a melhorar e conhecer mais e mais daquilo que a vida nos pode oferecer,por intermédio de alguém ou por pura vontade até à sua concretização.



Toca a viVer!

quarta-feira, julho 08, 2009


O sério institui-se nos nossos dias como sinónimo de honesto e isso constitui um problema para o humor ( que não é de todo antónimo de seriedade).
Diz-se, na gíria comum, que não se brinca com coisas sérias mas, na verdade, o humor relativiza os assuntos sérios.
Aliás, às vezes, é a deformação das coisas ( e se virmos o humor pode ser isso mesmo) que nos faz vê-las com mais clareza (senão vejamos o exemplo das caricaturas).

No outro dia ouvi alguém dizer, a propósito da designação de humor inteligente, que essa designação parece soar a "merda saborosa" porque pressupõe que o humor não presta e eleva-se com a adjectivação.
Na literatura faz-se o contrário, chama-se literatura light...


Díficil esta coisa dos limiares da adjectivação..
No fundo, sempre a respirar os nossos próprios preconceitos..






terça-feira, junho 30, 2009

Só Deus sabe...



Só Deus sabe...
(tantas e tantas vezes!)

domingo, junho 14, 2009

Há palavras que...


Era uma vez...
(Começa assim este post por a protagonista ser uma criança)


uma menina que tocou à campainha com o maior sorriso do mundo. Eram todos e muitos os motivos para tal luz sair de toda a face e para soltar toda a magia de cada movimento. Foi recebida num abraço apertado e com um "Bom dia!" que parecia do costume. Ao contrário das outras crianças, trocou o tempo de brincadeira pela mesa mais alta, uma folha de papel e uma caixa de lápis de cera. Sentou-se pedindo a companhia da amiga crescida que cuida dela. Sentaram-se e começaram a conversar. A criança informou que se sentia muito feliz com uma simples frase "Sabes, estou muito feliz!" ao que se seguiu a pergunta do adulto, o típico "porquê?", achando-se sabedor da resposta e motivo da felicidade anunciada. Eis que a surpresa apareceu "Porque eu gosto de ti! Gosto muito de ti! Sabes, amo-te!" Seguiu-se uma corrida até ao colo do adulto e o pedido de um beijinho... as palavras daqueles que se acham crescidos e sábios ficam entaladas aquando uma situação destas.



(silêncio sorridente)


a verdade é que o adulto também adora aquela criança, como se tratasse de uma filha (faz parte da personalidade e encaixa na profissão); entre todas as crianças que vão entrando e saindo da vida, todas têm um papel de um pouco filhas. Ripostou-se a resposta entalada com "eu também gosto muito de ti, mesmo muito!" e a artista continuou o seu desenho com um enorme sorriso, enquanto se sentia cintilar o olhar mais alto e desarmado...



Existe uma capacidade extraordinária e clara de se ouvir a sinceridade de uma criança. Surpreender pela liberdade dos sentimentos traduzidos em palavras, em abraços e sorrisos... A simplicidade de aplicar uma palavra que não se sabe bem o que é mas que, pelas situações e enquadramento, aquele pequeno coração sabe que tem um enorme peso e quer dizer alguma coisa mesmo importante...

Desarmar em ponto pequeno coloca toda a gente e mais alguém num patamar minúsculo perante um mundo :)


Há palavras que nos desarmam, que nos silenciam, que nos matam ou nos dão vida! Nada melhor do que viver!

quinta-feira, junho 11, 2009

De qualquer modo...



"Ele disse que quem dança não pode ser totalmente infeliz. Eu assenti mas acrescentei que eu sou daquelas que acreditam que na dança também pode haver desespero. Porque quem dança procura entender o que há para entender, por isso dança porque procura entender o que há para entender. E porque dançar é Ter no Corpo o sistema do desespero e ter no corpo o sistema da salvação, ter no corpo um único sistema que desespera e salva."
excerto d´ O Livro da Dança, de Gonçalo M. Tavares


"De qualquer modo dança,
De qualquer modo sente.
De qualquer modo o corpo contém o dia.
De qualquer modo as cores e o músculo.
De qualquer modo o coração.
De qualquer modo sempre no fundo a memória.
De qualquer modo sem teorias.
De qualquer modo com
a teoria da poética que é não existir teoria e só existir poética
De qualquer modo a ciência atrapalha um pouco mas não totalmente.
De qualquer modo curiosidade.
De qualquer modo coleccionar montanhas.
De qualquer modo acabar quando o ritmo exige que se continue
O ritmo exige coisas que não devemos aceitar obedecer ser escravos."

Gonçalo M. Tavares

sexta-feira, junho 05, 2009

Na verdade, todos temos momentos mais ou menos mediáticos.
Da minha história reza uma aparição pública nos meios de comunicação social internacional (tirando aquela outra rejeição a uma entrevista breve para o telejornal - não fosse aparecer despenteada).

O que é certo é que apareci na televisão sem que disso estivesse à espera (e tenho mesmo a impressão (vá certeza) que despenteada) - corroborando a teoria de que todos temos o nosso minuto de "fama".

Assim, fui convidada a participar, inesperadamente, com uma prestação individual num debate de mesa (de uma conferência a ser transmitida em directo). De facto, até me saí bem na resposta às perguntas... até ao momento crucial da aparição curiosamente simples da questão que, desfez qualquer resquício de reputação séria que foi transmitindo ao longo do meu discuso (claro, para aqueles que consideram que uma pessoa despenteada pode ela mesma ser séria e respeitável) .

Ora, surgiu então o : "Qual o livro que está a ler neste momento". E vai daí que, eu (desconfio que com olhos arregalados de aflição e com suores a escorrerem-me pelo corpo) dirigi-me ao meu colega do lado numa súplica de pedido de ajuda disfarçado mas... nada.

E, para não fazer daquele silêncio uma "incoerência sobre os argumentos anteriormente dados acerca da importância dos hábitos de leitura" e não me lembrando de usar a mentirinha inocente, o nome respeitável de um dos livros obrigatórios que temos que ler na escola ou desviar a boquinha (distraidamente claro) do microfone, balbuciei convictamente (diria até genuinamente) : " A Igreja das meninas mortas" .

Para a próxima prometo que tentarei não incluir mortes, sangue, pedofilia e psicopatologia num só livro já que, temendo um incidente semelhante, até então nunca mais li nenhum policial.

O que é certo é que, por vezes, respondemos sem dificuldade a questões do âmbito geral, sobre ideologias que defendemos ou opiniões que a sociedade nos exige, mas quando toca a questões pessoais, fazemos por pensar nas respostas "politicamente correctas" em troca da nossa verdade. Isto acontece porque, invariavelmente, as impressões valem o que valem e nunca são o resultado dos bocadinhos de revelações que nos vão fazendo mas sim de impactos...


"Parece que está morta a metafísica e que a verdade adormeceu,
sonâmbula,nos corredores vazios
onde, às escuras,
se vão cruzando alguns milhões de frases
dos meus contemporâneos.
Todavia, falam de tudo com o entusiasmo
de quem lança «propostas» decisivas
e percorre as «vertentes» de novos caminhos
para a humanidade,
enquanto saboreiam a cerveja sem álcool,
o café sem cafeína e sobretudo o amor sem amor,
pra conservarem o equilíbrio físico e mental."

Fernando Pinto do amaral

domingo, maio 31, 2009

Ás vezes assisto disfarçadamente à vida dos outros.
Na verdade, somos espectadores assíduos da vida daqueles de quem gostamos...
Mas, distraídamente dou por mim também a observar outras vidas... que não conheço... que se cruzam comigo de uma forma passageira, anónima....
Poucas vezes dou-lhes uma história...
Mas hoje, ao longe, assisti a uma cena e lembrei-me do que uma vez ouvi...
Talvez a ficção imite sempre a realidade...


lume - Raquel Coelho



"Comecei a fumar para te pedir lume.
Para arranjar um motivo. Para.Tens lume? Perguntei-te.Sim. Disseste. Levaste a mão ao bolso.Engatilhaste o zippo. Todo prateado.Abeiraste-te e fizeste concha com a mão direita.Eras canhoto, como o coração.Agora. Disseste.E levei o cigarro até à chama.
Já está. E sorriste.Importas-te que te acompanhe? Perguntaste.Não, claro que não. Claro que não.Está frio. Disseste. E esfregaste as mãos.O cigarro sempre aquece.Sim.
Tossi.Estás bem? Perguntaste.Estou muito bem.Óptimo. Disseste. E sorriste.Aquele café além é acolhedor. Não tomas nada? Um chá fazia bem à tosse. Perguntaste. E disseste.Sim, um chá calhava bem. Estava mesmo a apetecer-me.
Parece que adivinhei. Disseste. E aí sorri eu.Tomámos chá e de imediato fizemos planos de vida.Que correram mal, imediatamente mal.Comecei a fumar para te pedir lume.Para passar o frio.Descobri que não viria a morrer.Nem de cancro pulmonar, nem de amor,mas da própria morte, mal o lume se apagou o café fechou as portas. Para sempre."

Hoje não estava frio mas....

segunda-feira, maio 25, 2009

Quando era pequenina chamava-lhe: "Nó na garganta"!


Quantas vezes digo “ Vou dormir!” … mas não fico por aí… tenho a invariável mania de dizer:
“ Daqui a 5 (ou o que seja) minutos vou dormir! “
Como que à espera de me convencer, de me ir preparando e ir preparando os outros…
“Vou dormir”…
Acho que não sou apologista de coisas repentinas…
E quantas vezes vou dormir e fico inerte, mas com a cabeça a deambular pelos lugares mais rebuscados …
Aí , repentinamente, preparo-me para dizer a mim própria (em tom de convencimento):
“ É agora, dorme… dorme… dorme…”

«Não te mata quando chega a hora do dia em que fechas a porta do quarto, porque já não aguentas o mundo lá fora, e desligas a luz do candeeiro como quem interrompe vida?.»

sábado, maio 16, 2009

Parti...

“O mundo é um lugar demasiado grande para se perder a perspectiva; a vida demasiado rica para lhe voltarmos as costas. Recentemente, seguido de uma série de acasos que resolvi apelidar de “milagres”, recomecei a viajar. Como toda a gente, apanhei muitos aviões e comboios nos últimos anos; não é disso que se trata. Trata-se de o ter feito, ao fim de tanto tempo, de olhos abertos e sem a espada de Dâmocles sobre a cabeça. E, quando regressei, percebi que me era impossível regressar.

Que, até ao fim da vida, era isto que eu queria fazer: viajar todos os dias. Mesmo estando quieto, mesmo atrás da mesma secretária escrevendo as mesmas palavras às mesmas intermináveis horas; estarei eternamente em viagem. Porque já perdi demasiado tempo, vou ao armário buscar as minhas malas surradas e velhinhas; vou comprar um bilhete para a vida; e, depois, cheio de esperança e de coragem, vou entrar em cada avião que passa como se só houvesse um sentido, como se nunca se chegasse a parte alguma, como se a viagem fosse na realidade o destino porque todos os dias são dias de partida.”

João Tordo


Estou de partida...porque todos os dias são dia de partida...

sexta-feira, maio 08, 2009

"Enchemos de sombra a mesma rua"


Um dia fui ao cinema e acabei com uma menina desconhecida (que conheci depois) a dormir ao meu colo.

Já vivi também a versão masculina da bela adormecida com muito pouco de conto de fadas. A carrugem apareceu ao estilo moderno… encaixada num comboio. Era a 21! E na improbabilidade de algum dia me ter visto antes, e sem qualquer intenção de piropo, o meu companheiro de lugar confidenciou-me sentir que já me conhecia antes. Talvez do sonho de que acabava de acordar, disse. E ficámos por ali, num silêncio duradoiro!

Naquele silêncio duradoiro fui contagiada pela sensação do desconhecido!
Podemos fazer do desconhecido, conhecido… ou optar por não conhecer… ou por conhecer noutra altura…


Sim, naquele silêncio duradoiro fui contagiada pela sensação do desconhecido!
E precisei de lembrar o que fui conhecendo…alguns “tus”…antes desconhecidos… agora conhecidos…ainda desconhecidos nuns aspectos…

Conhecer devagar e não num ápice… com cuidado…
(Re)conhecer as descobertas…

Pois é… Conheço-te! Será que por acaso?
Escolhi ir conhecendo ( e não por acaso)…



Já deixei o meu nome gravado por aí, num lugar que só nós sabemos…
Achei um tesouro em cima de uma árvore depois de me teres feito correr atrás de ti…
Em tempos, já caí desastrada para o meio de um rio com a tua mochila às minhas costas…
Já construí um puzle de peças mínimas contigo, enquanto discorríamos sobre o desprazer de tal tarefa.
Tenho guardados todos os papelinhos que trocávamos religiosamente na aula de físico química.
Um dia, saí à noite contigo e uma varinha mágica escondida no casaco com a intenção de espalharmos magia…
Já escrevi uma viagem ao mundo contigo e desci uma duna de mãos dadas mas nunca andei às tuas cavalitas e tenho pena!
Parti o dedo do pé a jogar futebol só porque queria marcar golo na tua baliza.
Já dormi com muitas borboletas no quarto e contigo na cama ao lado.
Limpei sapos de um tanque gigante sem saber que me convidarias mais tarde a ficar imersa naquela água a ver o pôr do sol.
Já dei um grito forte naquela praça muito povoada que fizeste de tua casa este ano!
Sentei-me na pedra que escolheste, encostada a ti, naquele monte que tão bem nos acolheu a conversa e nos equilibrou a ousadia de movimentos malabaristas.

Já te desenhei um bigote em canetas de feltro enquanto me rabiscaste qualquer coisa no rosto, para depois sairmos à rua!
Quase enchemos uma sala de balões só com o sopro de nós as duas!
Já ficamos a ver a noite inteirinha a cair, sem nos deixarmos apoderadar pelo sono, naqueles degraus estreitos.
Já acordei a meio da noite para ver se estavas bem!
Ensinei-te a minha dança e tu fizeste questão de a imortalizar.
Já rezaste por mim e... e eu por ti!

Já...


"A tua vida é uma história triste.
A minha é igual à tua.
Presas as mãos e preso o coração,
enchemos de sombra a mesma rua."

Eugénio de Andrade



Nas ruas destas vida... Conheci-te...

sábado, abril 25, 2009

Entre cidades e pensamentos


Numa viagem de muitos quilómetros, entre as duas cidades que poderiam, e podem, contar muito da minha história e revelar muito daquilo que me trouxe até onde estou, dei por mim a vaguear nos pensamentos que ficaram quietos e sossegados pelos atropelos do dia-a-dia que chamamos "rotina" e "monótonos". A verdade é que afinal tenho muito que agradecer. Em parte, a opção partiu de mim, quando decidi escolher o curso e a profissão que tenho, por outro lado, a sorte de ter conseguido chegar onde estou e arriscado as mudanças, lutado pelas coisas; e ainda pelo possível dom de exercer e ter perfil (acho) para aquilo que faço. Curioso como posso orgulhar-me em dizer que nenhum dia é igual, que todos os dias consigo ter um misto de sentimentos e sensações (desde o rir ao lançar um grito mais forte; uma pressa em preparar as coisas a tempo até ao esperar, minuto a minuto,a saída de cada uma das crianças; oportunidade de brincar e ensinar até ao tornar as coisas mais sérias e fazer valer aquilo que são regras e gerem um grupo de crianças que está em constante crescimento e aprendizagem).


Não tenho que me sentar numa secretária e olhar para a papelada ou um computador horas a fio; não tenho que fazer telefonemas e enviar faxes; não tenho que fazer entregas ... basicamente, ao contrário de muitos, lido directamente com as pessoas (miúdos e graúdos), posso ir vendo o fruto do meu trabalho (pode haver algumas excepções mas é bastante comum) e orgulhar-me dele! Mas, acima de tudo, a responsabilidade pesada que se tem é transformada numa constante troca de afectos,conquistas, confiança, ... resumidamente, o lado maternal prevalece em todos os momentos. Desde a muda de uma fralda, ao colo, ao sermão, ao castigo, às risadas e palhaçadas, às curiosidades respondidas... é mesmo a expressão certa, "o lado maternal" está em cada coisa que se faz. Cada vida é tomada como "minha" e todo o cuidado é distribuído por carinhas fofas e traquinas.


Igualmente como as mães,há sempre o dia em que os pequenos "ganham asas e voam". Neste caso não ficam capazes de voar sozinhos mas deixam a "nossa asa" e seguem viagem para novas aprendizagens e conquistas, para crescerem por outras paragens.


É caso para dizer que serei mãe no trabalho, pela vida! :)

quinta-feira, abril 23, 2009

"Estás aqui para ser feliz" - Coca Cola

Numa das viagens de visita a casa (agora dita "casa dos meus pais"), pronta a sair da nova cidade deparei-me com esta frase: Estás aqui para ser feliz, ilustrada com a foto de um bebé e um "avozinho", ambos sorridentes! Sair duma carruagem de metro, por entre as pessoas apressadas e a correria habitual contra o tempo nos transportes, sorri e apaixonei-me pelo conjunto da escrita e ilustração... ficou-me a passear na ideia muito tempo (sendo que já passaram umas semanas e ainda penso nisto).

Poderia achar, como qualquer outra pessoa, que a frase poderia encaixar-se na minha vida (isto se procurasse alguma coisa para encaixar no sentido que poderia dar à frase; ou simplesmente, encarar aquilo como uma sugestão para começar a olhar a vida e todas as mudanças e situações dos últimos tempos. Ainda não e decidi por qual delas optei mas tenciono fazê-lo. Umas vezes acho que a cidade e a mudança já são motivos para me deixarem feliz mas pensar que o mundo é enorme e que estou cá (posso estar) para ser feliz...isso exige um pouco mais do que uns dias e uma decisão de como encarar as coisas. Tenho-me limitado a ir vivendo os dias e pensando como melhorar a postura perante cada um deles. Devagarinho isto chega lá. Talvez seja mais uma das coisas em que possa perder o meu pensamento enquanto volto a fazer uma viagem até "casa dos pais", com tanta estrada ou linha que há para seguir... muitos quilómetros para galgar!

E assim ficamos... fico, para me encostar daqui a segundos numa almofada que me aconchega os pensamentos e os deixa dormir mais firmes e acompanhados a cada noite que define a mudanda dos dias e o avançar dos anos.
Desligar a tecnologia, encaminhar-me a comando do cérebro e movimentação dos pés e do corpo até aterrar e ... acordar para o novo dia porque... eu talvez possa estar "aqui para ser feliz!"


Apperently Unaffected

Junção de duas palavras que achei curioso existirem no meu computador e nunca ter parado para reparar nelas senão quando me dignei a sentar-me a ouvir este álbum.

Aparências... ajudam muitos momentos e muita gente, a esconder! É a capa mais usada pelo ser humano, ou a mais comum, nos dias de hoje. Seja por uma questão de hierarquia social seja por uma questão de estar.
Aparentemente muita coisa pode parecer estar bem mas...

Pareço-me aparentemente "não afectada" com o que quer que seja que o silêncio e a correria que tem sido a vida me têm tentado dizer mas que ainda não consegui ouvir. O tempo é das coisas mais preciosas, que está sempre contado com o mesmo número mas que nunca parece ser suficiente e que nunca parece possível de preencher/ocupar da melhor maneira ou, pelo menos, com tudo o que pretendemos. Parar parece ser a impossibilidade da vida "dos crescidos". Não se pára por uma questão de impossibilidade ou porque não se quer poder parar... Parar implica serenar e começar a divagar por aquilo que tem acontecido até então ou que está a acontecer... positivo até certo ponto as paragens. Devem ser feitas mas nem sempre são desejadas pelo (in)esperado.

Aparentemente nada afecta nada e tudo afecta aparentemente tudo!

Permanece-se na aparência do "não afecto" por qualquer coisa mais, e deseja-se ser afectado por aquilo que a vida pode oferecer e desinquietar a tristeza até correr à felicidade ou alegria dos dias.

Aparentemente... (não) afecta!
Aparentemente... (já) está afectado!
Aparentemente... é aparente!

Quase a adormecer

Entrei nesta sala e sentei-me nesta mesa depois do meu dever de hoje, como educadora, acabar após sair da sala, levando 2 crianças pela mão para as entregar aos pais. É o ritual que traça o limite entre a minha vida "sozinha" e a minha vida de serviço e entrega naquilo em que me quis tornar como profissional.

Esta sala estava já meio desarrumada ao chegar... somos duas e há sempre a que tem tendência a arrumar (eu) e a menos preocupada (ela). Conversámos como de costume sobre as coisas do dia, tivemos o momentos dos comes e o momento em que nos ajudamos, partilhas do dia a dia e a parte óptima de morar com alguém parecido connosco, com coisas comuns e, com quem podemos sempre contar... basicamente, a amiga com quem estamos mesmo bem! Engraçado quando dei comigo a pensar que a vida tem com cada surpresa que, só um tempo depois, sentimos o real valor.
Pensei ficar acompanhada até terminar os planos de hoje mas, o sono derrotou o a companhia com muita pressa... deparei-me sozinha, com a televisão ligada (coisa rara nesta casa) e o computador a iluminar. Fiz, andei, circulei e aterrei novamente nesta cadeira. Ia deitar-me quando me assaltou a vontade de escrever qualquer coisa no meio de toda a confusão que me apetece arrumar mas, a preguiça hoje pode sair vencedora pelo cansaço acumulado e pelo avançado da hora que amanhã me vai pesar na caminhada matinal que recomeçarei...

Estreia esta de hoje a de estar na nova cidade a escrever no nosso espaço... normalmente Coimbra era o espaço em que havia 5minutos de fugida para meias palavras apressadas...

Hoje fui surpreendida por mais um balançar de propostas de regresso às raízes que ficaram adiadas ou, provavelmente, fora de questão.

Senti que estou porque tenho que estar e que não teve mal não regressar (já)!

quarta-feira, abril 22, 2009




Ana… Esperei-te no final de percorreres retalhos amarrotados de crianças… Imagino-te cansada… Mas a música intromete-se sempre como um privilégio na nossa alma…Quis que, nesta noite ouvisses o coração em avalanche… Onde vais? Fica nesta Festa! Nesta palavra deliciosa que acaricia sempre…
Hoje (será que já passou assim tanto tempo? levantando-se uma espécie de poeira fina sob as rugas que fermentam dentro de si só), não sei bem que dia é hoje (mas também estou-me nas tintas!) queria celebrar disfarçadamente a tua companhia no meio destas palavras sorrateiras…

quarta-feira, abril 15, 2009

Quando mudei de casa, deram-nos a escolher os quartos, a mim e à minha irmã, com a condição de entrarmos em consenso…

Hoje acho que não fiz a melhor escolha (acho que isto nos vai acontecendo muito na vida =), não que me importe com isso (até porque não passo grande tempo no meu quarto).
Mas acho que me deixei espantar por qualidades superficiais…( o que também nos pode acontecer algumas vezes na vida)!

O quarto da minha irmã, entre outras coisas, tem uma vista muito bonita… Vê-se a cidade toda, todinha, as casas em miniaturas, o castelo, as árvores… e de noite sobressaem as luzes…
Ela deixa-me ir para lá…

Quando vivia no apartamento tinha uma predilecção secreta por estar na varanda da sala, apenas a olhar a rua, a sentir a cidade, à espera que chegasse a hora dos meninos virem brincar e me chamarem em uníssono, avisando que tinha chegado a hora de descer…

Hoje, tenho uma predilecção secreta por me sentar no telhado do quarto ao lado do meu, a ensinar-me a admirar o que tenho à minha volta, a sentir a cidade e sentir-me perto ou longe, à espera que não chegue a hora de descer, enquanto aprendo a brincar sozinha (com os meus pensamentos)….

E depois vou dormir… =)

sábado, abril 11, 2009

Porque o presente




és tu...!!
PARABÉNS!

Obrigada por tudo e mais qualquer coisa. como te disse, é difícil ter palavras para dizer "aquilo" que sabes!


Be happy!

quarta-feira, abril 01, 2009

A força dos fracos


A força é uma arma forte para aqueles que a usam de forma controlada e bem empregue. Há quem use a força em vez da mente, vice versa e, há ainda quem usa as duas coisas de forma equilibrada e correcta.

Há uma forte tendência em dizer que são os fortes que têm força, sendo esta exibida de forma abusiva. Mas, existem os fracos que, por muito "franganotes" que sejam, têm a sua força guardada para a surpresa dos momentos e situações.


A vida corre e as situações vão sendo desafios diários e momentâneos. Parece que cada segundo conta como a maior preciosidade e tem que ser usado com toda a cautela e atenção minuciosa entre as palavras, decisões e movimentos que são dados/feitos. Basta um piscar de olhos para se perder a capacidade de evitar ou provocar algo.

Diante de situações difícil e inesperadas parece que há momentos em que, ou somos o suporte, ou somos o fracasso e o desmontar de alguém; ou somos o pilar que segura, ou a rampa que faz escorregar. Torna-se mais fácil quando se cede ao que se sente e se deixa prevalecer a espontaneadade dos sentimentos que a capacidade de pensar as coisas.

É doloroso prender a lágrima e petrificar o tremer do corpo; deixar de parecer sensivel e tornar o ser num silencioso corpo andante e maquinizado que faz tudo sem qualquer expressividade; ceder ao silêncio para que as palavras não desmoronem o que deixa transparecer a fraqueza de uma palavra só; ...


Ser forte na fraqueza que se reconhece mas não se mostra torna-se difícil mas possível...


Faz o dia terminar num silêncio interior e exteriorizar uma distância da mente e um monte de gotas prisioneiras de um olhar que é expressivamente "inexpressivo", silencioso e denunciador...


Os fracos também podem ser fortes...

sexta-feira, março 27, 2009

O que levo dentro das "minhas coisas"?


E onde vou arrumá-las??







Parar não tem sido hipótese...
parar = pensar...

Não é o momento certo, resta saber se ele existe ou é criado

Mudanças...


Sentir a tralha acabada de arrumar e com lugares fixos e... parece que ainda não é desta que ganham forma dentro das 4 paredes...

toca a procurar, pegar na mala e seguir viagem, ainda que seja para "o sítio mais ao lado" ...

LOLOL

Há mudanças e mudanças... resta saber quais são as que realmente mudam: se as duas, uma ou... nenhuma!

Passo e passo


Um passo de cada vez que leva adiante um corpo que se perde por entre as ruas mais iluminadas ou escurecidas de dias e noites que teimam em ir passando, passo a passo, enquanto são percorridas apressadamente cansadas.
Pequenos passos que vão pisando um chão desconhecido mas que, cada vez mais, se torna um chão menos impessoal e mais informal... ainda com muito para descobrir e caminhos novos a percorrer mas que, o tempo tratará de desbravar.

São passos de quilómetros ou de meros metros; passos de partilha e amizade com passos de profissão e dedicação; passos de lágrimas de dor e saudade fechadas num corpo, e sorrisos de alegria e amor em "pequenos grandes" gestos que não passam de infâncias acompanhadas com orgulho e felicidade; passos de descobertas que o escuro só desvenda quando a luz se acende e o caminho percorrido é seguro e mais tranquilo...

Vê-se no horizonte que a linha existe mas sabe-se que não termina ali. Há passos para além do olhar e do seu alcance... há um futuro caminho que pede que seja pisado mas não promete nem segurança nem qualquer coisa, apenas promete ser caminho e deixar que os pés se deixem cair firme enquanto pisam o chão e carregam o que o corpo traz da vida.

Passo e passo, avança-se e descansa-se ... pois pode caminhar-se andando ou estando um pouco, nunca sempre, parado.

Perder e ganhar

Uma constante roda viva de coisas, pessoas, sitações... que tornam a vida diferente de alguma maneira. O tempo parece escassear a todo o momento e as coisas parecem correr a uma velocidade extraordinariamente apressada. Encontram-se as pessoas perdidas na salada mista da vida profissional que tira "férias" quando se aproxima o fim-de-semana que parece mais curto que um cobertor de uma criança.

Ganhar tempo faz perder qualquer coisa mais;
Perder tempo em qualquer coisa, faz ganhar algo mais nessa "outra coisa";
Perder tempo a falar ao telemóvel ou a mandar mensagem, pode ser a consequência de se ganhar um conforto das palavras de alguém, uma partilha de bons momentos e segredos que ajudam a adormecer de sorriso no rosto;
Não descansar pode ajudar a ganhar-se momentos para mais tarde recordar;
Dormir ganha-se maior descanso e perdem-se horas a dormir que poderiam ser dedicadas a outra coisa;

Dei por mim a pensar que perdemos e ganhamos a cada decisão, a cada pequeno passo ou momento que fazemos qualquer coisa, seja escrever num blog ou dormir tranquilamente numa cama, sendo 1h da madrugada.

Quando se perde numa relação ganha-se em amizades e em conhecimento de nós mesmos e da vida;
Quando se ganha numa relação, ganha-se alguém, partilha-se a vida, conhecesse mais umas quantas pessoas e soltam-se sorrisos e momentos mais profundos com amigos comuns...

Estamos sempre a perder e a ganhar... e é o tempo que faz a contagem das vitórias ganhas e das derrotas ganhas também.

segunda-feira, março 23, 2009









"a minha vida é um punhado de começos suspensos."

Miriam Reyes

quarta-feira, março 11, 2009

Esconderijos



Gosto de sítios onde me posso esconder à vista de todos...
Réfugios onde é possível misturarmo-nos com a paisagem...


Gosto de pessoas que mesmo sem falar me tiram as dúvidas todas...
É bom não perder tempo com coisas desnecessárias...

domingo, março 08, 2009

Um dia diferentes


Os olhos pesam como duas pedras que correm atrás da força da gravidade. Esforço-me por segurá-las firmes às pestanas levantadas, deixando que os olhos escuros e rasgados possam ir identificando cada letra e ordenando as mãos a pressionarem a tecla que vai desenhar as palavras.

O dia tão cheio e um fim-de-semana a prometer sempre coisas diferentes. Começou pelas caras, pelas novas paredes, novo espaço, novos sorrisos e vozes... novidades! Parece que fica para trás mais uma etapa ultrapassada mas, não passa de uma parte de mudança dentro de toda a mudança que tem vindo a ser. Descubro agora que, afinal, os sítios têm sido os mesmos e, as poucas fugas aos "sítios do costume" foram por me raptarem por perto de 2h e guiarem-me... inacreditável como olho e vejo que não sei nada das ruas e das cortadas que levam a "todos os lugares nenhuns" que vejo aos meus olhos. Senti que parei um pouco a veia da exploração e da descoberta que sempre me soube tão bem ter e rir-me dela, com ela quando me perco em estradas e ruas, quando ando pelo meu pé a tentar inventar caminhos mais curtos para a meta... coisas típicas!

Senti que veio um pouco de casa até aqui...a minha ("outra" nova) casa. Bom quando podemos mostrar aquilo que é o percurso diário, aquilo que se vê umas vezes e passamos cegos outras vezes. Ouvi as vozes de toda uma vida, ri e sorri com as caras e sorrisos com que aprendi a viver e a sorrir... veio até mim aquilo que demais importante se tem: desta vez fiquei à espera que viesse até mim. Estranhei esta parte... é sempre exigida a procura, a busca desenfreada e apressada de alguma coisa; ou pelo menos é feita a exigência de ir atrás de tudo sem que nada, ou pouco, venha chegando perto.
Entre percalços, água, comboios, ruas... foi uma tarde mais curta mas tão calma por dentro!
Termina-se o dia a tentar fazer destas paredes um espaço mais meu, encontrar um pouco de mim espalhado e... soltando a terrível doideira pela limpeza e arrumação que, acaba sempre por nunca estar como se quer mas... olhando agora à volta... instalei-me melhor agora que vejo rostos perto do espelho, posso abrir a gaveta e ver coisas que me fazem viajar ou, simplesmente, ver uma ou outra fotografia que me conta uma história, me faz sentir-me no momento... coisas que fazem de um pequeno espaço um grande lugar: um lugar especial! O meu lugar de agora!

Agradece-se o dia enquanto se procura aquecer a garganta muda e o corpo desejoso de cair como morto no quente e fofo recanto que acolhe cada noite!

Amanhã é outro dia!

sábado, março 07, 2009

"Nada dura para sempre"


Por vezes, esta frase parece não fazer sentido, mas não há uma forma melhor de definir as coisas de agora, do mês, das mudanças, reviravoltas, desafios, decisões, medos, lágrimas, sorrisos e corridas contra o tempo, cara sorridente e abraços chegados.

Chega-se à conclusão, passados todos estes anos, que o erro está em criar-se planos a longo prazo quando ainda nem se sabe que dia será amanhã, onde brilhará o sol ou cairá a chuva... planos podem ser feitos de um dia para o outro e com toda a probabilidade de pequenas/grandes falhas.

Desiste-se de criar e fazer planos definidos com um prazo superior ao aceitável. Rapidamente o que hoje é amarelo amanhã pode ter que ser azul e tudo fica frustrado e confuso.

Voltas e voltas que o tempo e as situações alteram. Aos poucos encontra-se alguma calma no meio do rebuliço... deseja-se a paz e a estabilidade que ainda não se sabe quando pode ser encontrada mas vai-se andando e caminhando por onde parece ser melhor!

Há relações, amor, ódio, vidas, casamentos... que não duram para sempre e mudam mas há muitas coisas que a memória e as recordações não apagam do coração, por muito que possa parecer que nada é eterno.
Pode-se acreditar que se confrontam e tentam remediar coisas que se podem ter tornado numa memória eterna e incomparável com tudo o que aparecer. Afinal, há coisas eternas mas que se forem chamadas de "memórias" ou "inesquecíveis" parecem ter um ar menos sério e pesado do que realmente são.

Há coisas que são eternas! =)

O valor

Torna-se difícil valorizar aquilo que sempre foi tão ligado a tudo o que faz parte de um dia, de uma vida. Sempre ali esteve e nunca foi notado. Algumas das coisas, dons que preenchem a delícia de qualquer dia menos agradável. Dons que saltam de dentro, sem razão, aparente, de querer um retorno ou sem serem pensados de forma proveitosa... simplesmente dons que escorregam com a respiração de um dia!

A dificuldade de sentir um elogio e saber lidar com eles torna-se nota forte numa vida ritmada desde que se sabe o que é um elogio, para que serve, como pode chegar... existem realmente qualidades em toda e qualquer pessoa, o problema está em ser identificado pela pessoa em questão. Tornam-se sempre tão maiores e, normalmente, parecem o maior absurdo que se houve por parecer demasiado exagerado e superior ao esperado de si próprio; principalmente porque a maior exigência pode vir de dentro.

Existe uma grande dificuldade em aceitar o elogio e a segurança de que o papel desempenhado ou a finalidade foi atingida quando parece que o que invade é a sensação de falha e frustração pessoal e não generalizada.

Aceitar um desafio é como um virús: muitos podem ter imunidade por si só e outros precisão procurar o seu remédio...

Não sei bem onde me encontro, sabendo onde me encontrar certamente mas... nada dura para sempre

As voltas

No espaço de um mês a vida pode dar mais voltas que os ponteiros de um relógio, com a semelhança de que o tempo é sempre contado, sentido, ouvido, a cada segundo, e as decisões têm que ser sempre apressadamente decididas, sentidas e sofridas ao mais ínfimo pormenor.
Sensação de que tudo coloca a vida à prova e a capacidade de crescer torna-se um ponto forte mas enfraquece a cada decisão de cada hora do dia.

Encontrei um ponto difícil de lidar: o ter que pensar de forma "egoísta" na hora de decidir algo mais, sem querer que os outros ganhem apenas porque é "politicamente correcto" e porque "devia" fazer aquilo pela pessoa, só porque sim. Damos por nós a espreitar as nossas necessidades que passam a ser a prioridade de tudo; apenas alguma necessidades.
Um não que hoje parece o mais certo e seguro, amanhã faz tremer a ponte que tinhamos como chão firme e agora é um pedaço de madeira prestes a estalar...

A felicidade das mudanças torna-se, aos poucos, alguma tranquilidade dos dias que se aproximam e desejam... ou que têm que ser mas se vão tornar em saudades dos que agora vão passando, queixosos.

quinta-feira, março 05, 2009

quarta-feira, março 04, 2009



Não sei quando volto.

No recanto do meu olhar passeio em imagens intermitentes.

Ondulo o corpo ao sabor da inércia, sobrevoando cada espaço de comtemplação.

Nas galerias trauseantes do desassosego liberto cais pérfidos de saudade.
Vou…
Ninguém o sabe a não ser eu.

A melodia ecoa em sentidos dispersos.

Mas eu também nunca soube dançar!

domingo, fevereiro 22, 2009

As mudanças inesperadas

Sente-se que a vida pode mudar de hoje para amanhã quando as coisas realmente acontecem. Inicia-se com um ritmo acelerado e torna-se numa corrida alucinante com decisões, noites em claro, dizer "sim" ou "não", muitas vezes sem conseguir pesar as palavras numa balança realmente adequada.
Muda-se o espaço, as ruas, as pessoas, as casas, as cores... muda-se! A incerteza balança os dias, as chamadas telefónicas podem fazer toda a diferença e os números desconhecidos fazem o coração bater acelerado sem se saber ao certo que se espera do outro lado.

Aos poucos as coisas vão começando a ganhar espaço, o tempo começa a ser visto para além do dia de hoje e pode programar-se até ao fim de semana ou até à próxima semana. As visitas ao que era o dia a dia passam a ser apressadas e passarem num piscar de olhos e, aquilo que era "o nosso lugar" começa a deixar de o ser ou a estranhar-se um pouco mais.

As mudanças...
dolorosas, apressadas, arriscadas... podem ser tanta coisa mas... certamente, trazem sempre um pouco mais do que aquilo que aparentemente é claro com um pequeno olhar "apressado" sobre as coisas. A seu tempo podem dizer mais qualquer coisa... agora é esperar!

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades!

E tanta coisas que conseguem mudar num espaço de semanas, dias, horas, minutos... segundos!

quarta-feira, fevereiro 18, 2009



Tenho um problema de base!
Nas séries, nos filmes e noutras ficções que tal, sempre achei mais piada às personagens secundárias, ao amigo totó, àquela personagem que ninguém repara, que não sobressai. (minto, porque acaba por sobressair, mas apenas pelas estupidezes que faz!)

Não raras vezes tinha mesmo alguma vergonha em confidenciá-lo porque, da primeira vez que o fiz, verdade seja dita, fui alvo de alguma chacota. E como agravante tenho um fascínio ainda maior por personagens que são extremamente desajeitadas, atrapalhadas e realmente descontextualizadas!
Actualmente lido bem isso (choro baba e ranho por não poder ser normal ou partilhar gostos com as amigas e, houve mesmo uma vez que dei por mim a bater com a cabeça nas paredes!)

Já o meu querido progenitor masculino me adverte vezes sem conta que preciso de ter mais brio!
Mas esta incapacidade latente de contrariar os conselhos que os pais dão, acho que me vai perseguir sempre!
E eu, parece-me que estou condenada a “apaixonar-me” pela trivialidade das imperfeições. Daquelas naturalmente despercebidas e realmente autênticas, transmitidas em gestos mesmo discretos!

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Pudor do vulgar


Soube há pouco que Charles Dickens só era capaz de dormir numa cama em que a cabeceira estivesse virada para Norte e só adormecia se o seu corpo estivesse no centro do Colchão. E, por isso mesmo, fazia medições exaustivas com o objectivo de saber qual o sítio exacto onde se deveria deitar.

Acho que gosto dos pequenos nadas que infiltramos como rituais nas nossas vidas. Quase inconcientes.. manias..desvarios.. simplicidades..
Mas também gosto daquilo que nos destabiliza a rotina, por uma vez, e que consegue ser tão agradável, por ser isso mesmo, irrepetivel..

Existe uma espécie de obstinação que nos leva a querer deixar marcas, sobressairmos nos contextos ou relembrar a nossa unicidade. Desafiar perigos como glória pessoal. Construir um portfólio individual entusiasmente... numa especie de conquista pela sobrevivência sob a perspectiva do darwinismo social.Vincar a nossa diferença.

No entanto, não digo que, em certas ocasiões, não seja bom passarmos despercebidos. Acomodando-nos discretamente a um lugar casual que não nos exige a defesa de uma qualquer opinião, uma decisão ou a escolha de argumentos plausíveis e coerentes com as nossas atitudes. Refugiarmo-nos num "batido" conformismo social.
O que digo é que, hoje em dia, todos tendemos a fugir da vulgaridade.. (e fazêmo-lo por descuido, despercebidamente). O banal assusta… como que se precisássemos de atingir uma imortalidade fictícia… surreal…momentânea!

O pudor do vulgar existe… um bocadinho em todos nós!

E agora uma frase que não tem sentido nenhum, mas fica sempre bem para fechar (tornando o post (quem sabe!) invulgar); como dizia o Tony : “Ai destino, ai destino!”

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Pro-cura


A vida vai passando por uma constante procura. Procuramos por coisas, por momentos, por pessoas, por vontades...
Procuramos emprego, casa, o melhor destino de férias, ...
Passamos o tempo a procurar a melhor forma de estarmos, connosco e com os outros. Curioso que facilmente, as coisas boas que encontramos nos fazem esquecer rapidamente o mal que antecedeu. A verdade é que poucas são as vezes em que damos conta que o que nos é difícil passar é exactamente aquilo que nos faz crescer e avançar com maior firmeza nos tempos que se avizinham.
Procuramos o melhor sorriso, o mais aberto e coberto de luz, o caminho com mais sol quando, na realidade, ainda não conseguimos entender o que nos deixa às escuras e por caminhos desconhecidos. Sabemos o que queremos mais mas pouco tentamos entender o porquê de não querer outras coisas. Dedicamos mais tempo à procura do que é luz e caminho do que propriamente a entender o que nos assusta, o que nos amedronta e prende. É mais difícil admitir os medos e enfrentá-los do que ingorá-los e avançar.

Arriscar implica ter disposição para o fazer! Arriscar uma procura de algo maior e com força; ou simplesmente, a disposição de saltar sem saber onde se vai fazer a aterragem. Procuramos sempre aquilo que achamos melhor, mas nem sempre o poderá ser.

"Pro-curamos curar" as nossas dores e dificuldades no caminho...
Nem sempre encontramos o que queremos. Outras vezes procuramos qualquer coisa que não sabemos bem o que é até tropeçarmos "nisso".

Podemos também não procurar e sermos procurados, encontrados...

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

sábado, janeiro 24, 2009





Estava a chover muito. Ficámos em casa. Apeteceu-me ligar a televisão, por acaso.
O programa tinha um tema : “Existirá amor para sempre?”
Talvez seja um pouco céptica em relação ao amor. =)

Vale a pena ver :(http://ww1.rtp.pt/multimedia/index.php?tvprog=23283&formato=flv)

Gosto muito da entrevista (a partir) do minuto 28.


Vi isto no dia em que se assinalavam os 20 anos da morte de Salvador Dali…
Tal como este autor, do amor destacam-se duas características marcantes: a loucura e a genealidade…

E destacar-se-á também a "persistência da memória"? =)

"para qualquer artista - para qualquer pessoa - pode acontecer passar-se o tempo sem se entender o porquê e o objectivo daquilo que fazemos. o momento da verdade, quando chega, se chega, pode não mudar tudo, mas dá mais precisão e potência às coisas. para Andrew Bird isso aconteceu quando chegou à conclusão de que a sua profissão não era ser músico, não era verdadeiramente ensaiar ou sequer tocar, mas antes 'sonhar acordado' "...
in Ipsilon

sexta-feira, janeiro 23, 2009


Hoje assinalam-se os 20 anos da morte de Salador Dalí - exponente máximo do surrialismo.
Dele destacam-se duas caracteristicas marcantes: a genialidade e a loucura...

Um dos seus quadros mais famosos, "A Persistência da Memória" (1931), é uma obra sobre a importância do tempo e da memória no ser humano. Contudo, segundo o artista, este quadro resulta (apenas) de uma reflexão sobre a natureza do queijo Camembert...

O senso-comum associa o queijo ao esquecimento =)

Gala, a sua companheira, quando viu o quadro previu que quem o visse jamais o esqueceria.

Em Hollywood vão fazer três filmes sobre a biografia de Dalí, cada um com a sua perspectiva...

Continua....

terça-feira, janeiro 20, 2009

À espera das abertas

Ouve-se um "beep" à distância de um estender de braço. Já houvera outro que o ouvido não conseguiu captar pela distância e embalo do sono pesadamente leve nos últimos tempos...
Num saltitar de dedos e palavras encontra-se uma chamada de retorno... sabe bem ouvir alguém do outro lado a animar um dia com uma luz mais fraca e, uma casa silenciosamente fria.
Entre um aquecer de uma caneca de leite e o bater de uma colher a rodopiar na caneca, chega-se ao final da chamada. O frio intensifica e chama a um banho quente e aconchegante.
Enche-se o corpo do entusiasmo de calçar umas botas para o frio e o chão molhado da rua e sair por aí... Calça-se a primeira e quando se assentam os dois pés no chão... vê-se pela janela o vento e a chuva que cai dura do céu... deixa-se cair o corpo para trás e adia-se a saída para mais tarde, esperando no conforto de umas pantufas quentes e mais leves.

O tempo parece que não avança e parece que o mundo não existe lá fora... tudo em pára...sóa a chuva continua a cair!

Entre músicas e pensamentos a chuva parou aos poucos! Espera-se uns minutos para garantir que não vai aparecer novamente... e soltam-se uns raios de sol. Termina-se o que estava quase a terminar-se e, novamente as botas encaixam nos pés. Pegar num agasalho e preparar para a saída... antes de uma chegada à porta de saída... aparece graniso caído do céu a fazer um barulho incómodo e de alarme a "não sair"!!
O caminho da saída torna-se no caminho de regresso e as botas perdem o andar e encostam-se tristes, ao armário do canto. O único meio de transporte permitido ali ficou, encostado à espera da oportunidade que não chegou.
As horas passam e nada parece facilitar a saída na busca de uma rua qualquer, de um caminho qualquer... sentir o fresco da rua sem que a chuva invada ...

Nada avança, tudo recua ...

Deseja-se que o amanhã se aproxime com um céu menos pesado para que o chão se possa pisar, sem tecto e sem pantufas, mas com umas simpáticas botas de borracha para chapinhas em todas as poças de água que restarem de hoje.

Até lá, talvez uma fuga rápida ao outro lado da rua, na companhia de outro par de botas de borracha no percurso, e companhia para conversa que preencha o espaço e conforte a relação familiar!

Amanhã é outro (longo) dia!
E a vida parada no tempo...

segunda-feira, janeiro 19, 2009

O que te agarra?


"Vá para fora cá dentro"

Sempre foi uma expressão que ligo às publicidades nos "outdoors" de uma rua qualquer. Mas parando até tem o seu quê de utilidade e encaixe em umas quantas situações que podem e acontecem com muitos.

O novo ano tem sido uma constante andança! Ora mais para sul, ora mais para norte... entre comboios, expressos, um carro, estradas paralelas e a direito, ou estradas com mil e uma curvas que baralham qualquer orientado. A verdade é que se encontram tantas caras, tantos lugares que começam a ter "um ar" mais familiar e, os passos são um pouco menos apressados, deixando que os olhos possam acompanhar a paisagem, seja ela qual for.

No pequeno país em que se vive e tanta coisa completamente desconhecida que, lança o cheiro de uma possibilidade de mudança, lança a esperança de uma nova etapa e nova conquista que...teima em ser uma constante e desesperada caminhada em que só o tempo avança.
Entre o sol que vai espreitando em alguns lugares e o frio e chuva que regelam a ponta dos dedos... lá se vai caminhando... na esperança de alguma coisa que não chega!

Estas coisas de crescer e tal... tarefa complicada é deixarem que possamos dar o salto, não é a falta de vontade!
Tentamos sair de dentro do nosso pequeno mundo mas paramos sempre dentro do mesmo jardim que fica bem dentro dos quatro muros que são... a nossa casa! LOL

Época de Saldos

Os saldos!!

Mil e umas quantas pessoas a "sariquitar" para a frente e para trás, à procura das quedas de preços nas peças que tinham visto mas eram mesmo caras e, agora, pufff, baixaram e é a melhor época para adquirir e arriscar comprar.

A vida com saldos... questiono-me seriamente que saldos poderia ter a vida. Haver uma época "pré-determinada" para se conseguir alguma coisa com um custo mais baixo (custo implica aqui um esforço, uma consequência, ...). Correr um risco mais baixo porque agora, está em saldos, custa menos dar X por isto ou por aquilo.

Acabaria por se verificar que a maior parte das situações aconteceriam na melhor época, onde o risco fosse menor: os saldos.

Mas, os saldos são uma coisa temporária, não dura uma vida. E diga-se que desaparece tudo num ápice: ou se é rápido ou não se encontra o número que melhor nos cai... nestas alturas pode pensar-se se valea pena arriscar no número certo mas com um preço mais alto ou se se arrisca poder ficar sem nada. Ora na vida... ou bem se arrisca no momento certo ou então não se vê o mesmo comboio passar duas vezes seguidas naquela questão de segundos (até porque, ele não anda ao sabor das pessoas: uma questão de 1minuto pode fazer com que se esteja atrasado ou se consiga chegar a horas, meros segundos têm também esse poder).

Ora... porque perder a oportunidade por eu depois vejo?? Há momentos que
precisam apenas de um passo em frente, ainda que no escuro, mas naquele exacto momento para que tudo avance por ali. Perdem-se tantas oportunidades por se achar que temos mais oportunidades de "adquirir" o que queremos por agora não quero pensar nisso, depois. O depois que acaba por, algumas vezes, não ser "número" que sirva para o caminho que era suposto seguir. Pode haver o número abaixo, que aperta e é totalmente desconfortável, além de não deixar ar para respirar; ou o número acima que, tem tanto espaço que fica por preencher e ... sente-se o vazio, o vento a passar por entre as abertas...



Os saldos... a época certa para facilidades em abrir "os cordões à bo
lsa", sempre na mesma altura e sempre com as mesmas características;


Os saldos, as facilidades... acho que não se marcam na agenda, simplesmente ou aproveita o que se tem ou... já era! Se bem que ainda há umas quantas "promoções" que possam surgir e ser bem aproveitadas... resta saber aproveitá-las!!







Muitas maneiras de se poder ver os "saldos" para além das peças de roupa... lol

domingo, janeiro 18, 2009

Também sou a Inês esquecida...



Na verdade não existem ideias pré-concebidas. As ideias são e serão sempre concebidas.



Numa primeira impressão disseram-me que sou eloquente a falar;

Em várias impressões minhas, sinto que devia colocar mais eloquência na minha vida.



Palavra do dia - eloquência: faculdade de falar de tal modo que se consegue dominar e empolgar o auditório; ser expressivo e convivente; talento de persuadir, de deleitar ou comover, falando;

Concebo-me como uma pessoa menina... que não acredita em Homens perfeitos... que acha que nós somos nós e as nossas circunstâncias...gosto de sorrir.. aliás,gosto muito de sorrir naturalmente despercebida, de emoldurar a felicidade no rosto para oferecer...Sou feliz com as coisas mais simples... não peço muito...finjo não acreditar no amor mas convenço poucas pessoas disso...Choro raras vezes...fico triste umas tantas. E também fico zangada... sempre fui muito envergonhada... em pequenina os vizinhos chamavam-me cara linda e eu nunca percebi bem... adoro filmes. E inventar finais precoces... quando andava na primária sonhava em ser escritora...Gosto muito de invernos aquecidos à lareira...Não sobrevivo sem pastilhas...Tenho medo...Já aprendi muito mas ainda tenho muito mas muito mais para aprender... Resisto um bocadinho às mudanças mas quero estar sempre aberta à sua possibilidade...Sou muito distraída e às vezes até acho que é a minha imagem de marca... e também caio muito...e tenho uma dificuldade enorme em decidir...Tenho pena de não ter raízes... Esqueço demasiado...Se calhar sou um pouco desprendida para algumas coisas...Tenho dificuldade em receber elogios sem retribuir...Queria ser mais alta... e mais magra.. mas já aceitei ser como sou... e nos dias bons gosto muito de mim...De vez em vez tenho ataques de teimosia... tenho a estranha mania de não querer incomodar ninguém tornando-me numa cerimoniosa de merda...Sou contida...desbocada...transparente...ás vezes...gosto muito da palavra às vezes... Idealizo muito... Questiono... e fascino-me com conversas....sabe-me bem perder-me nelas.. sabe-me bem cházinho quente antes de dormir... Acredito que as palavras nunca se gastam... e são metade de quem as diz e metade de quem as ouve....Preciso muito de partilhar...e acho que também preciso de eloquência na minha vida! Preciso de me convencer de quem sou...preciso de me convencer que hei-de sempre "ir sendo"...
Descubro-me todos os dias...
Descubro-me com os outros...
"Preciso que me reconheçam; que me digam Olá e Bom dia. Mais que de espelhos preciso dos outros para saber que eu sou eu"
(Adília Lopes)

domingo, janeiro 11, 2009

" Terra dos sonhos"



“Um dedo tocou sobre os meus lábios
É uma manhã de saudade
(...)
O mundo acorda com pressa
E em breve será recompensado
Com esperanças de que melhores dias virão
é uma manhã de saudade
Um outro dia, uma outra oportunidade
Mas eu continuo aprendendo
(...)”

Uma vez contaram-me de uma escultura cujo molde era o espaço mínimo, indivisível, existente entre duas mãos que se apertam.

Afinal há sempre intervalos por completar nos vínculos que pensamos querer cerrados…

A fusão deste “abraço” manual capaz de unir, de aproximar (ou até de colmatar a ilusão momentânea de ligações perfeitas) gera sempre interstícios quase invisíveis…

Nesta “obra de arte” preenchem-se as fendas com halos de matéria, contrariando a imutabilidade das circunstâncias, personificando a possibilidade de ajustes, de encaixes progressivos…

Hoje pode ser uma manhã de saudade…

De uma manhã onde as mãos reconheciam (lentamente) o início de um qualquer embutimento afectuoso…numa escultura de vida...

Esta é a minha manhã de saudade!

quarta-feira, janeiro 07, 2009

De/Sem saída

Estou de saída. Carteira, chaves de casa, o telemóvel e um casaco quente para afastar o frio que a rua assegura ter pronto para quando a porta se abrir, no fim da escadaria. Chegas antes que a primeira porta se abra, já estava pronta e decidida a sair, sem promessas de um regresso breve. Bates à porta e entras, sem ter tempo de a abrir. Esbarras de frente com a mesma calma com que soltas um ar calmo enquanto expulsas cada uma das palavras que são articuladas pela tua boca, na lentidão do respirar. Não me mexi, não consegui respirar, não consegui fazer nada... petrifiquei naquele mesmo chão, naquele mesmo lugar... sem sair um único movimento de todo o meu corpo. Convidas-me a sentar no meu espaço, que não reservei para ninguém, apenas para mim, após o segundo da decisão da saída.

Prendes-te no meu olhar sem pressas e obrigações... incomodas-me!
O teu olhar espicaça-me a tranquilidade. Não consegues deixar de sorrir enquanto me olhas ali, de frente e confortável no canto que escolhes-te para te acomodares... ainda não me consegui mexer.
Esbate-se um frio rápido e gelado que me deixa cair no chão, sentada, com toda a tralha que estava pronto. Tudo fica seguro no colo, sem se afastar muito de mim. Fiquei sem saber nada.
Apetecia-me cumprir tudo e sair assim mesmo, deixar-te lá e sair comigo. Mas... chegaste tão ao teu jeito que me prendeu no chão mais uns momentos.
Não soltei uma única palavra, não esbocei uma única expressão (diferente da primeira que permaneceu).
Quando vais perder essa mania de me fazeres ficar (??) mesmo sem saber porquê ou até quando?
Marie Claire...

Perdidos e Achados


Guardei ali, bem juntinho, naquele lugar que só eu sei chegar depressa e directo. Guardei para saber onde está, para encontrar quando quiser ir buscar, para recordar quando tiver vontade...
Guardei e ficou escondido, de todos e de tudo. Será que de tão bem guardado se pode perder na segurança do lugar?
E se eu quiser perder aquilo que guardo? Onde deixar? Não se consegue perder nada se for deixado propositadamente... quando se perde não se esquece o que se perdeu (quase sempre).

Segurar num monte de coisas e ir perdendo num caminho que não se sabe onde leva e termina-se perdido na rua "de ninguém" à procura de "sabe-se lá onde" e sem "tudo o que se guardou e se quis perder" e depois? ... depois perde-se o tempo.


Queria guardar mas não sei onde! Queria perder mas não sei onde perder sem achar! Dentro de um espaço puramente grande mas tão pequeno que se tropeça naquilo que mais se conhece e menos se quer encontrar.
Perco-me na perdição...
Queria perder e sem guardar; guardar e não perder; ...

uma constante contrariedade de achados e perdidos que o tempo não esvazia ou enche...

Achei aquilo que perdi... e guardo aquilo que foi perdido... encontrei um recado final, perdido no chão e achado por mim:



Achavas que me tinhas perdido mas... encontras-me sempre que me perdeste!

Do teu sempre,


Achado e Perdido