domingo, maio 23, 2010

Sabes de ti?


Quando quiseres saber de ti, vem bater-me à porta. Não perguntes quem sou ou de onde venho. Vem devagar e chama pelo teu nome. Contar-te-ei a tua história desde que te vi sorrir. Vais ouvir falar de alguém capaz de percorrer a estrada para alcançar o conforto e oferecer um abraço maior que o mundo inteiro.

Posso contar-te a tua história que ficou perdida num passado, fechada num pequeno cofre que só quem fechou ou viveu sabe contar. Vais saber que eras uma preocupação, que eras presente e que tinhas quem cuidasse de ti a toda a hora. Guardaram-te bem!

Posso falar-te dos teus medos, das tuas conquistas, das tuas aventuras...


Sabes? Posso falar de ti! Daquele tu que conhecemos em tempos e que agora, não se sabe onde se perdeu ou se não se quer encontrar. Aquele que viveu tudo com muita vida e fechou a porta no maior desafio de vida.


Quando quiseres saber de ti... vem sem medo perguntar! Não queiras saber quem te conta a história ou quem te viu viver, tenta só saber quem foste e com isso... reconquistar a vida de quem és ou viver a vida de quem te tornaste...


Sabes quem és? Eu nem sempre te sei... e acho que tu também não... mas quando quiseres saber de ti, eu sei onde te encontrar.

Os lobos do coração


sexta-feira, maio 14, 2010

Dividir e partir

Já procurava por nós há algum tempo, sem que o tempo permitisse que nos pudessemos encontrar. Finalmente, fintámos o relógio e os dias e, arrancámos dali, com um destino para nos separar mas, com uma viagem que saberia melhor do que um gelado no verão. Sem darmos por ela, conversámos... tudo fluiu de dentro, sem filtro ou necessidade de processamento. É tão estranho saber o que diz o teu rosto e "re-ouvir" isso em palavras concretas e sentir a companhia de uma luta travada no interior! Senti algum alívio e preocupação, por ti e por nós.
Perdemos o rumo com o desenrolar do novelo até então preso e entrelaçado. Quando deste por nós, estávamos a fugir do ponto de separação de viagens. Regressaste com calma e com um sorriso pela situação e... despedimo-nos! Senti-me bem ao levar alguns dos teus medos e tormentos comigo na bagagem e poder ter dividido alguns dos meus também.

A espera foi um tempo de fuga ao permanecer a pensar demais... de bilhete na mão, segui rumo ao destino desta noite. Viagem no escuro, com um sorriso simpático ao meu lado mas um silêncio interior que permaneceu por pouco... interrompeu-o a música. Procurei ouvir melhor as palavras cantadas, perdi-me entres as ouvidas e as escritas que irrompiam o compasso.
Não demorei a chegar, demorei a entender que o cansaço estava enroscado no meu olhar, a escorer-me pelo corpo e a calar-me a voz.

Cheguei a pensar em ti... escrevi para ti...

Shhhhhhh... ainda não abri a mala! AS nossas preocupações vão ficar lá fechadas até amanhã. Assim, dormes quieta, calma e bem.

Boa noite!!

quarta-feira, maio 12, 2010

Emprestas-me o coração por uma noite?



Há tantas e tantas situações em que o coração pode bater mais forte...
A vontade de dançar obedece mesmo a este príncipio, a ritmicidade faz-nos processar a informação errónea de que o nosso coração está a bater mais depressa, sinónimo de entusiasmo...

Ao invés, pode também denunciar uma ansiedade voraz...
O nervoso miudinho...
O nó na garganta...
As borboletas na barriga...
Tudo complementos essenciais de um coração que parece querer saltar do peito...

E como bate o coração agora?

Gosto desta transparência a que não podemos controlar. Há melhor sinal?

quinta-feira, maio 06, 2010

E para quando a hora do encontro?



"Tenho medo de te ver
Necessidade de te ver
Esperança de te ver
Inquietação de te ver

Tenho ganas de te encontrar
Preocupação de te encontrar
Certeza de te encontrar
Pobres dúvidas de te encontrar

Tenho urgência de te ouvir
Alegria de te ouvir
Boa sorte de te ouvir
E temores de te ouvir

Ou seja
Resumindo
Estou fodido
E radiante
Talvez mais o primeiro
Que o segundo
E também
Vice versa"

Mario Benedetti

quarta-feira, abril 21, 2010


As situações bizarras aparecem, sorrateiramente, como se pedissem a nossa atenção desmesurada. Captam-nos todos os sentidos como se ficássemos absorvidos na irrealidade. Há como que uma especie de paralização de realidade que nos envolve e nos faz questionar a vida.



Pois não é que vejo eu (numa missa numa das nossas ilhas) uma Senhora (pequenina e encurvada, de cabelo quase rapado e que à primeira vista identifiquei como uma turista asiática - pouca precisão e prespicácia a minha bahhhh) a passear-se por entre os bancos com uma máscara sobre a cara, evidenciando-lhe o receio da contaminação. Pôs-se à frente das pessoas a bater o pé como se se tratasse de um simulacro de tourada. Tinha jeito a mulherzinha, uma vez que também fazia barulho e tornava o gesto bem imponente com as mãos em riste sobre a anca!

Depois, continuou a sua avante importunando quem lhe surgisse à frente,até que chegou a uns miudos. Tocou-lhes nos ombros pedindo-lhe atenção e, num gesto brusco de surpresa tira a mascara que a protegia da gripe, coloca a mão dentro da boca e... como se de um truque de magia se tratasse... tirou a dentadura de forma gloriosa. Tinha um acentuado défice na dentição superior a mulherzinha (foi a sensação (se quiser ser delicada e usar um eufemismo para certeza =)) que me deu ao longe).Depois, acabou o espectáculo com uma vénia e em seguida perdia-a de vista. Tudo em silêncio!

Aprendi (para além de que sou capaz de me distrair na missa e que as máscaras usadas para a gripe A têm outros usos criativos) que estamos sempre a mostrar coisas nossas, a desvendar-nos silenciosamente a quem nos aparece à frente, de forma intencional (ou não). Que muitas vezes nos ridicularizamos sem a menor noção disso e que outras tantas ridicularizamos peremptoriamente o que nos rodeia.

Sem questionarmos a vida...
Sem que ela nos justifique a sua "normalidade"...

segunda-feira, abril 12, 2010

E quantas mais velas terei que apagar para a felicidade chegar ? ;)



"O jeito em que todas as coisas foram colocadas instigou-me à vocação selvagem da desordem; estimula-me o pensamento de desmanchar tudo: os sítios nos tempos. Porque a história tem de ser feita ao contrário."

Herberto Helder

sexta-feira, abril 09, 2010

Parabéns pelo "Bom Dia"

"Bom dia!"

Uma expressão usada por tododos durante uma vida inteira. Apesar de tudo, poder ser transmitida de formas tão diferentes. Ao expressar um "Bom dia" podemos mostrar a nossa disposição, alegria, sono... tudo. Ao ouvirmos o "Bom dia!" podemos ficar mais sorridentes ou não, conforme as "vibrações" que daí advenham.

Pois bem, tive a minha primeira vibração de volta com o meu "Bom Dia". Apesar do sono, receber pequenada logo de manhã dá "pica". O "Bom dia" sai espontâneo e mesmo bem-disposto, vivo e cheio de garra (não fossem as carinhas deles sorridentes e as dos pais mais arrastadas). a Verdade é que consegui arrancar caras bem-dispostas que, antes da recepção de boas vindas, vinham sem expressão. No meio destas coisas todas, muito subtís e, achava eu, banalmente automáticas, recebo o seguinte:

"Parabéns e obrigada. Sabe mesmo bem um Bom dia tão bem-disposto!"

Fiquei sem grande reacção na altura, até porque foi tudo no fluir da chegada e organização das coisas... mas fez-me pensar. Realmente há muita gente com mau acordar e nem todos os dias são os melhores, bla bla bla mas... quanto mais nos dão de harmonioso, mais conseguimos que a harmonia deste novo sol comece a buscar o bom e deixar a cara fechada bem fechada no fundo da gaveta.

A todos um muito

terça-feira, março 30, 2010

E sempre que não me silencio...


Perguntaram assim a José Luís Peixoto:
Jorge Luís Borges imaginava que o paraíso seria parecido com uma livraria. Imagina-o assim também?
Respondeu: "Não. Uma livraria tanto pode ser o paraíso como o inferno. O paraíso tem que ser um lugar onde as pessoas se tocam e não um lugar onde estão sozinhas com palavras."



Miguel Sousa Tavares diz que vivemos numa sociedade que não se encontra mas que comunica. Diz que temos excessso de comunicação! Salienta depois a necessidade do silêncio, referindo que Chico Buarque escreveu um dia numa música:

"Esse silêncio todo me atordoa, e atordoado eu permaneço atento."
Ostenta que o silêncio serve para construirmos algo a partir dele. Há até um escritor que diz que quem fala demais nunca pode escrever um livro, perde demasiado tempo. Escrever não é mais que usar as palavras que se pouparam, diz.



segunda-feira, março 22, 2010

Da minha leitura da vida...


Não é nada díficil sentir-me assim!
Ora porque, de facto, sou demasiado nova para perceber determinadas coisas que vêm com experiências, que, até ao momento AINDA não tive a oportunidade de experimentar ou,
porque mesmo que queira nunca irei experimentar porque é-me impossível mudar o meu país, a minha cultura, a minha história, a história destes dias e deste meu espaço...
Ora porque, me tento antecipar àquilo que tem um momento próprio para acontecer ( e será que ele existe?)
Ora porque, por muito que me tente esforçar (e empenho-me de verdade!) há sempre coisas muito díficeis de entender.
Ora porque, invariavelmente, me sinto a meio das coisas (e sem querer esqueço-me de pormenores do "passado" e centro-me ansiosamente no que vai acontecer a seguir) - Disperso-me!


quinta-feira, março 04, 2010




“O mais ridículo nas histórias de amor não correspondido é saber que bastava pouca coisa, uma circunstância diferente, uma questão de tempo, para que os papéis se invertessem, fôssemos nós os amados e não os que amam.

Porque, parece-me, que amar alguém não é ao acaso, amamos quem muito provavelmente, por muito pouca coisa, nos amaria a nós. E, claro, mais ridículo ainda nestas histórias é que, por muito menos, era provável que a não correspondência fosse uma correspondência absoluta, infinita, desolada de tão maravilhosa, se o mundo estivesse virado para o mesmo lado, ao mesmo tempo, de olhos bem abertos e, depois, fechados, para selar tudo como num beijo, na altura em que o amor nascesse.

Apesar de tudo, há é que manter um caso de amor com a vida, como disse Alberto de Lacerda e acarinhar a memória desses bem-amados que, sem culpa absolutamente nenhuma, não nos amaram. Eu acredito nele e concordo que é o primeiro amor, o da vida, que leva pela mão o outro, o que há-de vir para ficar. Entretanto, beijar ao sol. Às tantas poderá essa luz revelar que quem está ali é a única pessoa que ao nosso lado devia estar.”

Ana salomé

terça-feira, fevereiro 16, 2010

Calendário


Um ano... um ano e uns dias...



O tempo passa a voar e parece que ainda não passou nada. A passagem constante e normal dos dias torna-se uma coisa tão rotineira e rápida, comum e simples que nem se consegue fazer notar as semanas, os meses e os anos a passar. Só as datas festivas marcam com maior ênfase o rasgar de cada dia.



Passou um ano e pouco... um ano?! ISto é imenso! Parece que, mesmo depois desta corrida de dias, continua tudo tão igual, semelhante ou sem grandes novidades. A verdade é que, se olhar para as coisas com um maior cuidado, com mais atenção e com um pouco de amor no olhar, encontram-se tantas coisas diferentes, tantos avanços, recuos, aprendizagens... é deliciosa a panoplea de coisas que se guardam deste ano que já avançou. Um salto para o escuro, desconhecido e para uma certa aventura, sem qualquer garantia de nada e com maior probabilidade a sair furada, acabou por se tornar numa coisa certa e com pernas para andar... o bebé de 1 ano que agora tende a manter-se seguro e quieto no seu lugar, mas sempre a crescer.






Não se conhece todos os caminhos, não se sabe como chegar a todos os lugares mas, sabe-se chegar aos lugares seguros e que trazem uma energia diferente: sabe-se chegar ao mar, sabe-se chegar aos pontos de encontro, sabe-se chegar à casa dos amigos, ou, pelo menos, sabe-se o número de telemóvel para combinar alguma coisa. Não sei de tudo, mas sei alguma coisa; não procuro tudo, mas encontro muita coisa que não estava à espera; não encontro o que procuro, mas também não sei bem o que procuro.






Um ano... amizades, momentos de muitas lágrimas, de rir até cair para o lado, vaguear nas ruas, conhecer praias, conhecer lugares que se tornam pontos de passagem obrigatória, arrependimento/certeza, conversas e silêncio, enfrentar as coisas ou fugir delas, sorrisos e abraços cheios de amor apesar do tamanho XS de quem os dá... Orgulho! Orgulho e vitória em muito daquilo que se consegue conquistar e viver! Orgulho na luta e não no chegar ao spot; finalmente, orgulho em descobrir que se consegue olhar para o lado positivo da vida, sem querer duvidar de nós e ceder ao medo ficando estagnado e pela "zona de conforto".






UM ANO e continuo a desejar, sonhar por e com tantas coisas que parecem não chegar mas, um ano passou e sinto-me com um lugar meu, uma conquista e vitória, acompanhada e capaz de acreditar que com a simplicidade de quem somos conseguimos chegar a algum lugar que valha a pena. Um ano e, poderia dizer que existe alegria em muito do que este ano trouxe e desafiou.






Contagem a somar para o 2º ano... traga ele o que trouxer, há-de chegar cheio de novas coisas, muito que aprender e viver!!!

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

Vento, chuva, frio e pensamentos viajantes

Começa uma nova semana... passou o fim-de-semana a correr com aquela data que nada me diz a não ser "bora marcar o jantar das 3 de sempre" e, apesar da distância, cá nos juntámos nós na capital:)
Agora, chega outra data festiva, o Carnaval: adorado por uns e odiado por outros, confesso que fico no meio! Claramente que acabo por viver muito dele por causa da pequenada que tanto valor e importância dá a estes dias em que o mundo da magia e imaginação é rei no mundo real; e onde todos podem sair um bocadinho da casca e divertir-se sem grandes medos ou vergonhas.
A manhã prometeu frio e chuva... ouviu-se um silêncio imenso e uma disposição igualmente mais silenciosa. As ruas estavam a acordar enquanto se abria a porta e enquanto percorria o caminho de todos os dias. A luz ainda teimava em ficar meio escondida por trás das nuvens e dos prédios altos. Abri a porta e estava tudo silencioso, fechado e parado, como se fosse a única pessoa a sentir o tempo correr e ficasse à espera que todo o resto do mundo acordasse.
Entrou-me pela porta o primeiro sinal de vida por entre o vento e a chuva e daí em diante, foi "sempre a somar", apesar do sono e da contagem até ao regresso, de uma forma breve, ao quente da cama que deixei "em aberto".

Dias chuvosos e frios dão que pensar: procura-se o aconchego que conforta e os únicos que vão vaguear são os pensamentos que se perdem por entre o frio, um palpitar do coração, o respirar da alma e o calor da fogueira.
Passado, presente e futuro encontram-se por entre recordações, imagens reais e desejos. Fecha-se então a porta, roda-se a chave, faz-se o caminho até ao conforto de um lugar quente, na melhor companhia para uma conversa que vá fluindo... até o sono chegar e envolver tudo...até ao dia seguinte que se deseja melhor.

quinta-feira, fevereiro 11, 2010


Gosto daquela ideia romanceada de que cada ruga conta uma história. Como se a inspirar a metáfora bonita do passar dos anos como sinónimo de riqueza de experiências.

Em boa verdade, ser sénior não é necessariamente símbolo de mais sabedoria mas sim da representação da acumulação de estórias.

Com efeito, à medida que vivemos mais tempo, temos cada vez mais tendência para nos diferenciarmos e termos cada vez menos pontos em comum - E tornearmos cada ruga como um traço vigoroso da benesse que é vida. A nossa própria vida… assim… vincada também pela diferença…

sexta-feira, janeiro 29, 2010

E se todos os “olás” escondessem trocadilhos?

Ás vezes tenho esta estúpida mania de romancear a vida e as coisas que nela podem acontecer. Mas estou certa de que não sou uma romântica. E estou também certa de que me acontecem coisas (algumas mesmo curiosas) tal como vão acontecendo coisas a todos nós, mas que eu gosto de coleccionar como os meus momentos verdadeiramente imprevistos...



Estava de regresso do Porto, erguida na penumbra, enquanto se augurava a vinda do Comboio...
Passa por mim um Senhor e olha-me fixamente nos olhos enquanto eu finjo que não me apercebo... E faz a ronda uma e outra vez, até que decide interpelar-me com um: "Vamos para Lisboa"?
(Como se desejássemos todos ir ao encontro da nossa capital privada, como sinónimo de mais oportunidades, da fuga das pequenas rotinas)


Franzi o sobrolho na tentativa de fazer a carantonha mais assustadora que conseguia (pensando para mim mesma: Confirma-se: só atraio deficientes, velhinhos e... doidos".

E continuou: "Se eu tiver uma boa viagem, também vai ter"
(Como se esta coisa de dependermos uns dos outros fosse mesmo verdade!)

Deduzo que a minha cara tenha desprendido uma expressão ainda mais assustadora mas não resisti em responder: "Mas o que é que o senhor quer?")
(Esta estúpida mania de não sabermos esperar, de desconfiarmos de tudo o que não seja expectável e impormos barreiras em tudo o que não nos é familiar. A velha história de associarmos o termo viagem a esta coisa que tem o nome de vida e que teimamos em querer sempre que seja boa.)

Não me respondeu mas depreendi que quisesse um pouco de conversa trivial e assim foi.
Quando o comboio chegou despediu-se rapidamente dizendo que tinha que ir para a frente.
(aliás, queremos sempre todos ir à frente… sempre em frente…)

“ Eu disse-lhe, se eu tiver uma boa viagem também vai ter. Posso conduzi-la?” – Disse ele e desapareceu em passo rápido.

(Sim, era o maquinista. Sim, às vezes tenho mania de romancear a vida, como se fôssemos sempre conduzidos por outros e condutores de outros. Sim, às vezes aparecerem-nos só pessoas simplesmente à procura de vida. Porque viver é dizer “olá” a tudo o que nos aparece sem grandes barreiras).

Mas eu nunca fui romântica… E segui viagem…

"Pudim de Natal" by João Manzarra

Porque há sempre o lado divertido da vida e, este rapaz, João Manzarra, tem um certo toque especial que eu ADORO :)
Numa sequência de vídeos (a velha saga de ver um e depois puxa-se de outro, e outro...) não me cansei de rir e ver as formas de estar. Fica a música que ficou no ouvido e dá pa cantar "músicas de natal para a páscoa" ;)
Enjoy it!!!


domingo, janeiro 24, 2010

"(Só) P'ra Sempre" =)




Descoberta, por acaso (ou não)! Lúcia Moniz, uma grande portuguesa:)


Ando sobre água
Perdida na corrente
Navego a direito
E vou de trás p´ra frente
Ando sobre a água e o vento está quente

Hoje olhei p´ra ti
E não vi o que eu queria
Liberdade à noite
E a solidão no dia
Hoje olhei p´ra ti
Senti-me tão fria
Tão só...

Agora diz-me o que é que eu vou fazer
A dor é forte e eu vou sobreviver
Eu não me entrego, fico
Longe de ti
P´ra sempre
Longe de ti, sem
Poder pensar no que eu faço
És o meu último fracasso

Hoje quis ser tudo
P´ra ti até morrer
Olhar para nós
Ver cidades a arder
Hoje quis ser tudo
Até me esquecer...

... até me esquecer
Eu vou-me embora e tu vais ficar
Só p´ra ver
E já não há nada a perder


Agora diz-me o que é que eu vou fazer
A dor é forte e eu vou sobreviver
Eu não me entrego, não volto a ter
Mais ninguem

Só, p´ra sempre
Longe de ti sem querer pensar
No que faço
És o meu último fracasso

quarta-feira, janeiro 20, 2010

"O segredo" sugerido

Numa tarde de sábado decidimos sair de casa, mesmo com chuva, e seguir para a multidão.
Percorremos os lugares de sempre, numa "parecida rotina" de sempre. Saltitámos das fotos para o bar. Trocam-se palavras e opiniões entre o saborear de algo mais doce e apetecível... que bem que sabe!
Após o momento de pausa segue-se a passagem mais que obrigatória pelo mundo dos livros dos mais pequenos (o espaço infantil tem cada coisa fascinante que, não fossem os preços mais que redondos e elevados, traríamos uns quantos livros de cada vez que ali passassemos). Mexer, remexer! Avançar e recuar; abrir, folhear, trotear umas breves frases do livro... ali ficamos sem noção da rapidez com que o tempo passa e deixamo-nos levar.

Entre um livro e outro, gargalhadas e piadolas, a minha maravilhosa contadora de histórias (com quem partilhei 4 anos de curso e agora, quase 1 ano de vida na capital) que delicia os ouvidos de quem a houve contar (não ler) uma história, começou a declamar com aquele seu jeito e magia, uma das histórias que tinha decidido trazer comigo. Começámos a empolgar-nos e, olhei para o lado quando vi um sorriso simpático de olhos postos em nós. Ali ficámos por mais uns minutos. Na continuação daquele momento saiu por detrás duma estante a "senhora do sorriso simpático", pedindo licença para dizer uma coisa. Veio parabenizar a minha contadora de histórias pois achava que ela devia conseguir transmitir aos meninos a magia dee sonhar ao ouvir histórias :) Depois descobriu que éramos educadoras e ali ficou um tempo a falar de coisas dela e a dar os parabéns da capacidade de fazer a pequenada sonhar.
Aproveitou para dizer que esteve algum tempo à espera do momento certo para a abordagem mas, como não encontrou fez questão de ganhar coragem e não ir embora sem dizer o que queria, mesmo podendo não servir nada.

Perguntou se poderia sugerir mais uma coisa... acompanhámos a senhora até outra estante (de livros mais "crescidos" e onde raramente passo os olhos). Sugeriu que conseguissemos ver o filme antes de passar para o texto do livro: "O Segredo" de Byrne Rhonda que diz-se falar da lei da atracção. Vincou muito que aquele livro a tinha feito mudar muito da sua forma de vida e deu alguns exemplos. Pouco depois, após breves minutos a conversar (mais a ouvi-la) voltámos ao nosso caminho com uma sensação estranha mas... ficámos com o bichinho da curiosidade quanto ao filme...

Fica a sugestão aberta a todos... :)

Qualquer um pode ser abordado por alguém nos sítios mais normais, mais comuns só por olharem para a forma de estar do momento e, quem sabe, não nos podem ensinar alguma coisa.
Naquele momento, reparei que... não perdemos nada em dizer o que pensamos: dizemos e cada um faz o que quiser com o que lhes é dito mas, fica dito e isso pode fazer a diferença :)

quarta-feira, janeiro 13, 2010

Em suspiro...



Se a todo o instante inspiramos porque é que às vezes nos falta a "inspiração"? ;)

terça-feira, dezembro 29, 2009

Quando fazemos dos lugares a nossa casa...

Perguntam-me muito como é voltar a casa...

Gosto mais de pensar que fazemos dos lugares onde estamos a nossa casa...
Que podemos ter o espírito nómada mesmo estando no sítio que nos habituou a viver...
Que somos sempre convidados a entrar em novas casas e a reconstruir sempre a nossa...

"

A nossa casa ,à partida, dá-nos espaço para podermos viver..

Como construir uma casa?

(aceitam-se sempre sugestões de engenharia e arquitectura ;))



sexta-feira, dezembro 25, 2009

A todos um Bom Natal


[Postal by Ana Simões]

quarta-feira, dezembro 16, 2009

Mais uns (ex)certos

«Quando amamos alguém, não perdemos só a cabeça, perdemos também o nosso coração. Ele salta para fora do peito e depois, quando volta, já não é o mesmo, é outro, com cicatrizes novas. Às vezes volta maior, se o amor foi feliz, outras, regressa feito numa bola da de trapos, é preciso reconstruí-lo com paciência, dedicação e muito amor-próprio. E outras vezes não volta. Fica do outro lado da vida, na vida de quem não quis ficar do nosso lado.»

«Para todas as mulheres que viveram um grande amor.
A todos os homens que o perderam»

Margarida Rebelo Pinto, in Dia em que te esqueci

sexta-feira, dezembro 04, 2009

Cântico Negro


"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces

Estendendo-me os braços, e seguros

De que seria bom que eu os ouvisse

Quando me dizem: "vem por aqui!"

Eu olho-os com olhos lassos,

(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)

E cruzo os braços,

E nunca vou por ali...


A minha glória é esta:

Criar desumanidade!

Não acompanhar ninguém.

- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade

Com que rasguei o ventre de minha mãe


Não, não vou por aí! Só vou por onde

Me levam os meus próprios passos...


Se ao que busco saber nenhum de vós responde

Por que me repetis: "vem por aqui!" ?


Prefiro escorregar nos becos lamacentos,

Redemoinhar aos ventos,

Com0 farrapos, arrastar os pés sangrentos,

A ir por ali...


Se vim ao mundo, foi

Só para desflorar florestas virgens,

E desenhar meus próprios pés na areia enexplorada!

O mais que faço não vale nada.


Como, pois sereis vós

Que me dareis impulsos, ferramenttas e coragem

Para eu derrubar os meus obstáculos?...

Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,

E vós amais o que é fácil!

Eu amo o Longe e a Miragem,

Amo os abismos, as torrentes, os desertos...


Ide! Tendes estradas,

Tendes jardins, tendes canteiros,

Tendes pátria, tendes tectos,

E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...

Eu tenho a minha Loucura!

Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,

E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...


Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.

Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;

Mas eu, que nunca principío nem acabo,

Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.


Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!

Ninguém me peça definições!

Ninguém me diga: "vem por aqui"!

A minha vida é um vendaval que se soltou.

É uma onda que se alevantou.

É um átomo a mais que se animou...

Não sei por onde vou,

Não sei para onde vou

- Sei que não vou por aí!



José Régio

quinta-feira, dezembro 03, 2009


Há na intimidade um limiar sagrado,
encantamento e paixão não o podem transpor -
mesmo que no silêncio assustador se fundam
os lábios e o coração se rasgue de amor.
.
Onde a amizade nada pode nem os anos
da felicidade mais sublime e ardente,
onde a alma é livre, e se torna estranha
à vagarosa volúpia e seu langor lento.
.
Quem corre para o limiar é louco,
e quem o alcançar é ferido de aflição...
Agora compreendes por que já não bate
sob a tua mão em concha o meu coração.

Anna Akhmatova


segunda-feira, novembro 30, 2009

Aconteceu...


Planear... é o que o ser humano tem tendência a fazer a vida inteira. Planear os dias, as viagens, as datas festivas, as saídas à noite, os jantares com amigos, os cafés, ... tudo se planeia (ou pelo menos tenta-se fazer os planos de forma a tudo estar controlado). Mas, como tudo, há alterações de última hora, mudança de planos, prioridades que ultrapassam tudo...


Nem sempre as combinações de última hora são um desastre, podem mesmo tornar-se numa situação e num desenrolar de momentos fantásticos e intensos. Podem mesmo ser os melhores planos "não planeados" de sempre.


Aconteceu... há muito tempo que não me lembrava de viver uma noite "não planeada" com companhia "não pensada". Tudo na mesa de um café, após um dia longo de trabalho... o frio ameaçou cancelar e recuar mas, passou-se para um jantar a 3, bater na porta de cada uma das nossas casas e seguir viagem para um cantinho com música envolvente e harmoniosa a terminar com música rock, alguma dança e mais companhia. Um somar de situações e pessoas que podem fazer a diferença.


Aconteceu... deixar que o tempo avance sem controlar o relógio. Estar no momento sem viajar muito pelos outros planos e irritações exteriores... Uma noite diferente, em óptima companhia e sem planos até acontecerem por si só.


Aconteceu... haver tempo para os outros e tempo para si mesmo! Vaguear nas ruas com a brisa fresca, as mãos a gelar e os olhos a cintilar com a harmonia que a rua infiltrava em cada poro. Ar puro, fresco e um cheiro a liberdade e desprendimento. Sorrisos, risos que chegaram com uma companhia surpresa mas muito bem vinda, não fosse o tempo (ou a falta dele) andar a desviar os caminhos de uns e outros.


Aconteceu... adormecer porque sim, andar na chuva porque o chapéu ficou em casa com a pressa de chegar a horas, voltar a adormecer sem querer contrariar ou sem forçar a uma saída para o frio que parecia assustar lá fora.


Aconteceu... acordar e sair, mesmo com o frio mas com uma luz leve a cair do céu que, logo sumiu à medida que as rodas percorriam a estrada em direcção ao rio. Tinha um lugar mesmo à minha espera, tal como uma companhia que trazia muito que contar por dentro.

Sentir um sabor doce, leve, escorregadio e algum granulado que rebentava ao enrolar-se na língua quente... o sabor a laranja percorria todos os cantos da garganta e do cor, e que bem que soube. Brincar com o copo, olhar para todo o ambiente e cair no conforto dos sofás que gritavam por um corpo caído e relaxado... assim foi! Risos, sorrisos e "abrir de portas" que se fechavam a si mesmas... abraços e toques suaves de cumplicidade "não perdida" nem desgastada com o tempo "ausente"... soube bem!


Aconteceu... voltar a sentir que não é preciso usar todas as palavras, que não é preciso abraçar para dar um abraço, sentir o quão bom é poder dar colo e fazer alguém sorrir o tempo todo sem esforço ou intensão... é bom querer fazer bem (e fazê-lo realmente) a alguém, mesmo que implique ser-se duro numa fase inicial... o final é que conta!


Aconteceu... a surpresa das palavras escritas numa mensagem, a surpresa de um tilintar de sons, a chegada do aconchego de uma amizade duradoura, a surpresa de um anoitecer em que a tranquilidade chega e vai como um baloiço!


Aconteceu... que passou um fim-de-semana a voar e ... aconteceu o sol brilhar e a chuva cair mas, ainda assim, muita coisa aconteceu e, aconteceu sem planos!


Expressões que marcam os dias ...


Nothing is ever as it seems

Lamento

...é por ti!


E assim os dias correm e a vida também!

quinta-feira, novembro 26, 2009

domingo, novembro 15, 2009

Os exclusivos das estórias demoram-se sempre pelo caminho…

Reconheci-te o remorso. A tentativa sôfrega para abrandar a culpa. Na verdade, é isto mesmo que nos move, a culpa e o medo…
Apetecia-me afagar esse teu ar fatalista com abjurações falaciosas…Cobrir o teu medo de suavidade, à semelhança do que faz o som de música caseira às preocupações laborais…


És meu convidado neste despertar, onde a espera é censurada… Sustemos a respiração para não fazer muito barulho porque sabemos que o silêncio enternece… Um silêncio que se esfrega contra todos os poros da pele…

Proferes, cuidadosamente, as palavras da trama que escondes (convencendo-te de que quanto mais verdadeiro, mais poético) e ludibrias-me com a tua sagacidade… mas bem sabes que sempre gostei de versões diferentes…


(Cover de Pixies)

sexta-feira, novembro 13, 2009

"1 Mensagem de..."

A noite fala connosco deixando-nos sussurrar no meio da floresta perdida aquilo que ainda encontramos... E sentimos como semente, flor, fruto em nosso ser... Encontro uma casa abandonada onde me alojo sentindo as vibrações de quem a habitou outrora, revelo o passado das suas paredes. Assustada, volto para a escuridão da floresta... Onde me perco... E talvez me encontre... Onde a tua é mais verdadeiro

Wipa, 13 Novembro de 2009
Há mensagens que chegam na melhor altura, como pessoas que surgem inesperadamente reflectidas num tom de alma incrivelmente suave e semelhante... As palavras têm um dom e um toque especial, tendo em conta quem as diz, quem as escreve ou solta no simples olhar...
Obrigada, Wipa e... "Apetecia-me contar-te um segredo" :)

quinta-feira, novembro 12, 2009

O Segundo Desejo


(...)


De repente, no meio da história, apareceu o Génio. (...)

Estás tão crescida! Mas falta-te qualquer coisa...Já sei! É o teu coração. (...) E consegues ser feliz, mesmo sem o teu coração? - perguntou o génio preocupado com ela.

- Acho que sim. Pelo menos não penso nisso. Trabalho tanto que nem tenho tempo para pensar.

- Tapar uma coisa não é o mesmo que esquecê-la - advertiu o Génio.

- Eu sei (...) mas agora é melhor assim.

- E porque não pedes outro desejo? (...)


- Pode ser - concordou. - Quero que açguém encontre a concha onde está o meu coração e ma ofereça de presente.

- Está bem - respondeu o Génio. - Assim que eu encontrar a pessoa certa, resolvo-te isso.


E desapareceu mais uma vez, sem que mais ninguém o tivesse visto.


"Só os Génios é que conseguem aparecer e desaparecer desta maneira", pensou ela.





in A rapariga que perdeu o coração, de Margarida Rebelo Pinto

terça-feira, novembro 10, 2009

O primeiro desejo

(...)
Concha ficou em silêncio. Até que no seu espírito encontrou uma solução.
- Então vais fazer uma coisa mais difícil: escondes o meu coração dentro de uma concha no fundo do mar e eu fico cá para a minha Mãe não se sentir sozinha.

(...)
O seu coração vivia numa concha, perdido no fundo do mar. Ninguém sabia onde ele estava. Nem mesmo ela. Só o Génio, mas os génios não aparecem quando nós queremos (...) podia até dar-se o caso de ele nunca mais aparecer.
"Não faz mal", pensava ela. "Se alguém encontrar o meu coração, há-de descobrir onde moro e um dia eu vou tê-lo de volta."

(...)
Todas as noites sonhava que vivia dentro da concha onde estava o seu coração e foi assim que conseguiu crescer sem elouquecer de tristeza.

(...)
Concha nunca contou à Mãe o que o Génio fizera. Mas ela sabia, porque as mães sabem sempre tudo. Nem sempre revelam que sabem, mas sabem sempre.
Por isso a Mãe nunca lhe perguntou onde escondera o coração
(...) uma pessoa tem de saber proteger-se quando está muito ferida senão pode morrer. Foi o que Concha fez.



in A rapariga que perdeu o coração, de Margarida Rebelo Pinto

quinta-feira, novembro 05, 2009

Disseste-me que os lugares permanecem....



Sei bem que a memória é traiçoeira…
Sei bem que, por vezes, recordamos as coisas de acordo com as nossas percepções pessoais…
Sei bem que, fazemos por preservar determinados factos em detrimento de outros… ás vezes os melhores, outras vezes os menos bons...
Sei bem que o prazo da memória não é ilimitado...

Sei bem que construímos sempre as nossas memórias… e que também as podemos descontruir…
Mas ,e quando elas se começam a desvanecer sem que tenhamos nisso algum auto-controlo?

Contudo, o lugar que ocupamos permanece sempre... se não é em nós... é em quem está de perto...

"...queria fazer do amor um espaço que me ocupasse inteira."

terça-feira, outubro 27, 2009

Por favor podia distribuir o seu cuidar descomprometidamente?


Hoje apetece-me gritar este título bem alto...

Em tom de oradores motivacionais ouço, muitas vezes, incentivos públicos no sentido de sermos capazes de tratar das pessoas com toda a dignidade humana e da melhor forma possível, não vá um dia isso acontecer-nos a nós próprios ou a alguém muito próximo (como se as coisas funcionassem neste sistema de troca).

E o que me impressiona mais é que, de facto, a plateia engrandece-se de comoção como se não tivesse atingido um outro estádio superior de desenvolvimento moral.

Não me incomoda perceber a inexistência de altruísmo puro mas fico com o coração apertadinho sempre que se descura (de maneira brutal) a beleza e o sentido da gratuidade.



sexta-feira, outubro 23, 2009


Acredito muito na diferença que fazem os pormenores!

Gostei quando soube que um Hospital Pediátrico exigiu aos funcionários que limpavam os vidros do edifício que só o fizessem se se vestissem de Super- Herois.
E assim é!

terça-feira, outubro 13, 2009

"Que entrem os noivos": Originalidade, ahah

Esta é, sem qualquer dúvida, uma forma original e diferente de tornar o chamado "dia memorável da nossa vida" ou a expressão "o dia mais feliz da nossa vida".
Este é, sem dúvida, inesquecível pela diversão e animação...





[obrigada à doida que quer casar daqui a 2 anos e que eu faça parte duma cena deste género, eheheheh]

segunda-feira, outubro 12, 2009

Cá vou... aos empurrões...


Uma vez, explicando-me o que faço na vida (da minha vida), disseram que era (ter que) ser boa a dar “empurrões” (aliás, em mim vê-se-me claramente espelhados resquícios de agressividade. É notório!). Exemplificaram, metaforicamente, recorrendo à serie televisiva “Cheers aquele bar”. Num episódio, a personagem de um típico totó, que ainda vivia com a mãe mas que tinha um discurso nitidamente marcado de exageros (sobre tudo o que queria ser e fazer / sobre tudo o que era e fazia). A dada momento apaixona-se por uma rapariga, mas devido à falta de experiencia e à sua insegurança típica não conseguia avançar e, sempre que estava ao pé dela ficava completamente bloqueado. A certa altura, o dono do bar, numa perspicácia plena, organiza um baile de máscaras e, enquanto as personagens em questão dançam uma com a outra (mais confiantes com a capa que trazem), ele apenas lhes dá um pequeno empurrão para que as coisas fluam naturalmente e surja o seu aproximar…
E assim acontece o primeiro beijo…

E assim acontecem as viragens (às vezes com a ajuda de pequenos empurrões).

Acho bonita esta descrição, quase que à semelhança da cena inicial do filme colisão, que dita que vivemos de pequenos toques…
("Há toques ao de leve que mexem com muita coisa")

segunda-feira, outubro 05, 2009

Parabéns para o Dentro de Si Só


Mais um aninho...
Mais umas linhas traçadas...
Mais uns pensamentos soltos em frase...
Mais partilhas entre nós...

Obrigada às pessoas que...
passam em silêncio,
passam e deixam palavras,
passam e ficam
Obrigada!

:)


Obrigada e Parabéns!

domingo, setembro 27, 2009



http://www.vimeo.com/5239013

Já tinha estudado este fenomeno. Com chocolate! O adiar da gratificação.

A exigência da espera. A atractividade pelo que sabemos que não beneficiamos em ter à priori. O entrar em desepero na avaliação entre 2 ganhos circunstanciais. Comparar ganhos quantitativos e qualitativos. A concentração intensa naquilo que sabemos que não devemos fazer no momento. Resistir. Tolerar a frustação. Proibirmo-nos em detrimento de uma promessa abstracta. Desafiarmos os nossos desejos. Satisfazer necessidades com prudência.

Na verdade, continuo a estudar este fenómeno diariamente na primeira pessoa!

sábado, setembro 26, 2009

Boy From Ipanema

Mais uma música de Diana Krall com um ritmo de Bossa Nova e um público brasileiro que canta com a alma... de arrepiar. Mais uma música que despertou curiosidade pela proximidade com a tão famosa Garota dxi Ipanema

Este seu olhar - Diana Krall

Uma música que me ficou no ouvido, com esta voz simpática e um ritmo leve que vai preenchendo o espaço em volta.


quarta-feira, setembro 23, 2009

Pausa e sonhos


Depois da pausa vem o movimento. O corre corre, o para frente e para trás de tudo e todos; a azafama do contra-relógio...


Encontramos na vida, depois desta começar a ter o seu típico desenrolar (o chamado emprego e responsabilidade, o pôr em prática os anos de estudo e teoria), pouco momentos em que nos podemos sentar e desfrutar de momentos relaxados, extenso, intensos... prolongadamente agradáveis e despreocupados. Até as miseras horas da noite parecem preencher-se de preocupações e acordares sobressaltados com pesadelos desmedidos e estupidamente afastáveis... estupidez real mas possível!


Contam-se pelos dedos os pequenos grandes momentos que retratam um rever, folha a folha, do percurso até então, da história dividida em capítulos, das personagens e reviravoltas de uma história que, não se consegue saber o fim de maneira alguma, sendo que a última página não existe e, curiosamente, não se encontra na contracapa um resumo (breve ou não) do que temos como conteúdo... o protagonista permanece, certamente, e dá continuidade a todo o desenrolar da acção; as personagens secundárias podem variar, podem ir e regressar ou, simplesmente, desaparecer com uma frase simples como "e nunca mais se ouviu falar dela!" encerrando o assunto e passando ao parágrafo seguinte.


Aparece no meio de tanta letra batida algumas imagens, nas páginas de um livro, poderia ser qualquer coisa como "procura-se nova história"; "procura-se ocupar tempo que alguém tenha para disponibilizar e por ocupar!" (lol) há gente com tempo a mais que, não sabe o que fazer com ele... seria, talvez, um bom negócio vender o seu tempo para ser ocupado por alguém (estupidez pegada, bem sei, mas a capacidade de poder sonhar, vaguear e aparvalhar ainda me pode correr nas veias... certo?).

Sentar o corpo na beira de algum lugar, descalçar a alma perante um sol quente e convidativo a um mergulho, não apenas dos pés, e deixar a vida soltar-se das entranhas do corpo, fresco e cintilante com o reflexo da luz, da água e da transparência do momento. Fica-se pelo simples sentir do fresco percorrer os pés, arrepiar até à ponta do cabelo mais comprido e, respirar fundo com os olhos e o coração, inspirar a paisagem e o silêncio assustadoramente agradável e imenso... "tudo o que é bom acaba depressa" e aterra-se de cabeça no real apesar do calor ser o mesmo, o sol, cenário, coração, corpo... e os pés molhados permanecerem ali mesmo... frescos a desejar algo mais...
... sonhar com a porta que abre e alguém segura um cartaz a dizer "Arrisca!"


"Aceitam-se novidades e alterações «dessas» nesta vida!"


Termina a pausa e o autor segue com o livro à espera de fechar um capítulo e a acordar de uma pausa adormecida em cima do teclado que não foi tocado, senão pelo rosto adormecido... perdeu-se a escrita num sonho que, foi escritamente sonhada e sonhadamente escrita num teclado de sonhos e... numa pausa ... somente pausada ... no tempo!


quarta-feira, setembro 16, 2009

Pic about Fairy Tales


Mania de relacionar(ções)


Era de esperar que assim fosse... como criança que espera ansiosa pelo gelado favorito ou como a menina que olha pela montra a boneca que mais deseja ter para brincar com todo o cuidado e orgulho perante as outras... Mais um conjunto de músicas que soam perante a passagem de películas que são a vida. Passam imagens dos momentos que foram de "ontem" e onde se encaixa mesmo bem aquela música que descreve e cria uma harmonia entre tudo o que envolve imagens, cores, sentimentos e sonoridade. Incrível a nossa capacidade de encaixar, como um puzzle, momentos e músicas.


Quem não se lembra do que estava a pensar, sentir, por onde estava a passar, como reagiu... quando ouviu aquela música? Quem não se lembra daquela pessoa quando ouve aquela música? Da pessoa, onde estavam, a falar de quê, porque é que a música e a pessoa têm a ver?


Mania de relacionar tudo por entre pensamentos, momentos, músicas, gestos, lugares, pessoas... somos uma caixinha de surpresas cheia de memórias, de histórias e imagens deliciosamente guardadas (por algum motivo). Atrelado a tudo, vamos nós e quem nos faz assim, tal como nos temos vindo a tornar. A surpresa de caminhos diferentes que se voltam a cruzar mais tarde; atalhos curtos e confusos; desvios que se tornam em enganos e temos que recuar tudo outra vez...

mania de relacionar tudo!


Relacionar relações... relacionando apenas!

segunda-feira, setembro 07, 2009

Voltar à carga

O regresso...
Começa agora o arranque do ano. Etapas novas para se conquistar, a prova da confiança, o gerar de novas relações, novos rosto e novas aventuras a começar do zero. O calor começa a ter os dias contados e isso não ajuda, em nada, à vontade de saltar da cama ou a pensar no que os dias se vão tornar. O sol vai querer esconder-se quanto antes e não vai haver forma de apressar as coisas para o ver deitar-se!
Começaram os choros, as birras e a falta de regras que, com o tempo, vão ao lugar mas... demora! Dias com paciência de Jó outros em que apetece saltar da cadeira, abrir a porta, soltar um grito de desespero e regressar com a alma revitalizada para uns breves minutos de segurança e força... mas passa depressa!
É a isto que se chama o regresso ao trabalho, o final das “férias”... um desafio diário até se tornar rotina mais leve e ritmada, juntamente com a disposição para o acontecer diário das travessuras e progressos nas pequenas vidas que se tem em mãos.

Fica de parte o lado pessoal que se vai adiando para um furo no horário de trabalho ou, apenas se coloca na agenda para onde haja uma vaga, mas nada de prioritário nem agendado cuidadosamente... inadmissível mas... real!
Deixam-se para trás dias de enorme gozo, enorme prazer de viver e com uma envolvência forte de vidas e momentos, com a realidade fechada e a magia contada e contagiante ao segundo... sem perder um fio de luz, sol e sorrisos. Saudades... saudade é a palavra de ordem que faz tilintar o coração e brilhar os dois espelhos da alma. Recordar (trazer ao coração) cada bocadinho...por muito breve que seja o momento! Cansaço que prevalece sem dar tempo a que morra numa almofada, por uma noite apenas. Abraços que encerram o dia, olhares que fazem a manhã cristalina e tão mais cheia, por entre os olhos ainda a tremelicar o desejo de serem fechados... saudades!!

E assim, começa um novo desafio!

quinta-feira, agosto 27, 2009

“EU AMO O MUNDO QUE ODEIO" *




«Aqui estou eu...só, dentro e fora de mim, último passageiro da minha noite interior.»
É o que diz Al berto

Eu... digo que andamos sempre distraídos!

* do poema As Cinzas de Gramsci (1957) escrita pelo poeta e cineasta italiano Pier Paolo Pasolini

quinta-feira, agosto 20, 2009

Partida com regresso corrido

Percorrem-se os dias com a pressa de chegar a um sítio diferente, a um lugar com outras caras, novas hipóteses de poder ser um pouco mais do que se é. Corre o tempo, correm as pernas na esperança de um "lugar ao sol", ainda que por tempo limitado. Horários, roupa fresca e suja, comida e gargalhadas entre o pó do chão seco e já tão cheio de pegadas que contam histórias...

É altura da partida! Partida para a partida de uns dias diferentes e cheios, partida do cansaço que teima em permanecer no corpo mole e desgastado dos dias e das horas rotineiras e longas de dias e dias corridos entre tudo e todos os de sempre.
É hora de partida para o colo seguro daqueles que são eternamente marcados e tecidos,desenhados na vida.

Partida à espera de uma chegada diferente e, a aguardar uma partida com destino ao "regresso" da rotineira vida com aquele lugarm aquelas caras e todas as pequenas grandes mudanças que, um tempo afastada, podem trazer... e trarão.

Até já!!

quinta-feira, agosto 13, 2009

Dias

Abre-se a porta... a sala está diferente...vazia! Um ambiente morno e acolhedor fica guardado depois de se ouvir a porta fechar. Guarda-se o silêncio! São poucos os momvimentos rotineiros que cobram ao corpo um som invasivo naquele espaço.

Poucos minutos depois,o toque da campainha começa a ser o sinal da chegada, a melodia de alerta da quebrado silêncio, que dá lugar a vozinhas familiares e engraçadas,nem sempre, começam a preencher o espaço (que cada vez se torna mais pequeno pela correria e brincadeira).

Ouve-se música de fundo misturada com os brinquedos a escorregar no chão, comos gritos que dão voz a tudo o que se passa para além do pequeno grande mundo da imaginação. Consegue-se divagar por entre tudo... a cabeça viaja com uma imagem de fundo em movimento e com as interrupções de chamadas de atenção...



quarta-feira, agosto 12, 2009

Escrevo porque não sei dançar como a Pina Bausch...



Há quase que um extase místico no compasso em que o pé se levanta voluoptosamente do chão..
Faz-me muito lembrar o que David Mourão Ferreira disse um dia. Que ter raízes é saber voar.

E assim, deliosamente em surdina, desnuda-se a melodia na acústica do sentir...

Um dia, hei-de descalçar a timidez, derrubar as paredes do meu corpo e estender a minha sombra no terraço... Deixar-me assim...conduzida pela Mazurca, mergulhando na noite enquanto cheira a céu estrelado!

segunda-feira, agosto 10, 2009

Calendário acelerado

Contar o tempo...

a vida está marcada por uma agenda que tem imensas datas definidas como especiais/importantes. São estas que fazem dos dias do nosso calendário tão especiais. Comemorar datas importantes, recordar os amigos que vão entrando, passando e saindo da nossa vida... acabamos por ter muitos dias importantes e especiais em cada ano novo que chega e que parte.

Contar o tempo...

com os olhos posto no futuro. Passa igualmente pelos acontecimentos que estão por chegar e, desejamos ansiosamente rasgar os dias do calendário até ao dia e hora "daquilo".


É quando contamos o tempo, quando olhamos para trás e para a frente que conseguimos entender por onde andámos, no que nos vamos tornando, o que vamos aprendendo e a capacidadeque temos de saber viver e reviver cada coisa. Um leque de histórias, amores e desamores, mundos de magia, realidade... os eternos desafios e opostos que fazem sempre parte do que chamamos de vida e de tempo.


O calendário tem uma permanente tendência a aceleraro processo das coisas quando nos fazem sentir realmente bem, a velha história de o que é bom acaba depressa... realidade pura!
Vai-se contando histórias enquanto se rasga mais um dia do calendário de uma vida que, nunca se sabe quando chega ao fim.

Há alturas em que...

"O sonho cria fantasmas e não marca pontos na realidade!"

sexta-feira, julho 31, 2009

Dúvidas do Universo

A velocidade a que o tempo corre... lêem-se mil coisas, soltam-se mais mil palavras, correm os dias do calendário...
Relêm-se palavras, saltam-se outras quantas e correm mais dias do caléndário!
Passou o tempo, não passaram as palavras ditas no silêncio de cada uma das linhas...
... é tempo de recordar e rever as dúvidas "do universo" interior!

Deixa a saudade...
Procura por mim
Quando for já logo à noite na praia
Com o sol a derreter sem fim
Procura por mim
Com o vento por saia
E em lugar do suor o sargaço.
Eu estarei quieta e assim sozinha
Cheia das dúvidas do Universo
À tua espera
A desenhar o caminho
Para te escrever em verso
No meu regaço.
Um abraço.
(adaptada, letra: João Fezas Vital)

segunda-feira, julho 20, 2009

I

Clara era timida. Mas gostava muito de dar a conhecer a sua timidez a quem viesse com jeitinho. Vivia para as euforias silenciosas e estava habituada a perder.
O seu nome dizia tudo sobre ela. Clara!
Fazia por partilhar preferências. As suas palavras preferidas estavam contidas numa poesia:

"Usámos a dois: estações do ano, livros e uma música.
As chaves, as taças de chá, o cesto do pão, lençóis de linho e uma cama.
Um enxoval de palavras, de gestos, trazidos, utilizados,gastos.
Cumprimos o regulamento de um prédio.
Dissemos. Fizemos.E estendemos sempre a mão.

Apaixonei-me por Invernos, por um septeto vienense e por Verões.
Por mapas, por um ninho de montanha, uma praia e uma cama.
Ritualizei datas, declarei promessas irrevogáveis,

idolatrei o indefinido e senti devoção perante um nada,
(- o jornal dobrado, a cinza fria, o papel com um aponta-mento)
sem temores religiosos, pois a igreja era esta cama.

De olhar o mar nasceu a minha pintura inesgotável.
Da varanda podia saudar os povos, meus vizinhos.
Ao fogo da lareira, em segurança, o meu cabelo tinha a sua cormais intensa.
A campainha da porta era o alarme da minha alegria.

Não te perdi a ti,perdi o mundo."

Ingeborg Bachmann

II

Ray era observador, gostava muito de observar...

"Um dia ele levantou-se e gravou numa fita tudo o que as pessoas diziam na rua.
Passou o dia às voltas, a entrar e a sair de autocarros e a entrar em todos os grandes estabelecimentos. Depois voltou para casa.
Gravou coisas como:

Nunca, talvez sim, isso também me interessa, tudo o que quiseres e por agora nada, continuo à espera, não acredito que tenhas forças, dou-te amanhã, não há dinheiro, não há dinheiro, não há dinheiro, vai-te embora, vem, vai-te embora, volta, estou sozinho, já não me interessa, ganhámos, tu dizes-me cada coisa, corre, corre, corre, demasiado tarde, demasiado cedo, tivesses dito, outra vez sozinho, se não fosse tão bonito, deus sabe que tentei, ninguém sabe quanto, não me ama, um trabalho novo, sapatos novos, carro novo, quase nem posso mexer as mãos, sou jovem, já não sou tão novo, que esquisito, sozinho, se não chover ou se calhar chove... e no princípio e no fim da gravação:

Amo-te, já não te amo."

Ray Loriga

Nada era Claro!
Sabia que as (nossas) preferências mudam muitas vezes... E que a poesia só tem magia se não for clara.
As suas palavras preferidas estavam contidas na vida!
Aliás, quando observou Clara conheceu-lhe o silêncio eufórico de quem perde (a timidez)...
Sim, Clara estava habituada a perder....

E, mais uma vez, Ray observou que o mundo, é tudo menos Claro!

(ganharam-se um ao outro _ por quanto tempo, não se sabe...)


terça-feira, julho 14, 2009

(Vi)Ver as coisas

O olhar perante a vida tem sempre a forma e a vontade que quisermos adoptar. Ou nos dispomos a olhar em frente e com um sorriso animado sobre as coisas a cada dia ou, simplesmente, nos deixamos vencer pelo cansaço contínuo e acumulado e, qualquer momento (novidade ou rotina) nos vence enquanto o relógio avança e, deixamos de ter o que contar com entusiasmo. Cai-se na banalidade do discurso "foi uma seca!" "queria era ter ficado em casa!" entre outras quantas frases que me arrepiam as entranhas cada vez que as ouço.



Ver as coisas, vivê-las porque queremos que sejam vividase aproveitadas são as prioridades de um desafio enorme. O cansaço existe e nem sempre pode ser contrariado o sono mas, porque não dispensar algumas horas de descanso para dedicar a algo mais que possa tornar o dia e o bem-estar diferente?

Fica sempre a decisão entre aquilo que faz bem e aquilo que apetece realmente fazer (e acaba sempre por fazer bem de alguma maneira).



(Vi)Ver é querer procurar a novidade no que nos surge como proposta e que nos desafia a melhorar e conhecer mais e mais daquilo que a vida nos pode oferecer,por intermédio de alguém ou por pura vontade até à sua concretização.



Toca a viVer!

quarta-feira, julho 08, 2009


O sério institui-se nos nossos dias como sinónimo de honesto e isso constitui um problema para o humor ( que não é de todo antónimo de seriedade).
Diz-se, na gíria comum, que não se brinca com coisas sérias mas, na verdade, o humor relativiza os assuntos sérios.
Aliás, às vezes, é a deformação das coisas ( e se virmos o humor pode ser isso mesmo) que nos faz vê-las com mais clareza (senão vejamos o exemplo das caricaturas).

No outro dia ouvi alguém dizer, a propósito da designação de humor inteligente, que essa designação parece soar a "merda saborosa" porque pressupõe que o humor não presta e eleva-se com a adjectivação.
Na literatura faz-se o contrário, chama-se literatura light...


Díficil esta coisa dos limiares da adjectivação..
No fundo, sempre a respirar os nossos próprios preconceitos..






terça-feira, junho 30, 2009

Só Deus sabe...



Só Deus sabe...
(tantas e tantas vezes!)

domingo, junho 14, 2009

Há palavras que...


Era uma vez...
(Começa assim este post por a protagonista ser uma criança)


uma menina que tocou à campainha com o maior sorriso do mundo. Eram todos e muitos os motivos para tal luz sair de toda a face e para soltar toda a magia de cada movimento. Foi recebida num abraço apertado e com um "Bom dia!" que parecia do costume. Ao contrário das outras crianças, trocou o tempo de brincadeira pela mesa mais alta, uma folha de papel e uma caixa de lápis de cera. Sentou-se pedindo a companhia da amiga crescida que cuida dela. Sentaram-se e começaram a conversar. A criança informou que se sentia muito feliz com uma simples frase "Sabes, estou muito feliz!" ao que se seguiu a pergunta do adulto, o típico "porquê?", achando-se sabedor da resposta e motivo da felicidade anunciada. Eis que a surpresa apareceu "Porque eu gosto de ti! Gosto muito de ti! Sabes, amo-te!" Seguiu-se uma corrida até ao colo do adulto e o pedido de um beijinho... as palavras daqueles que se acham crescidos e sábios ficam entaladas aquando uma situação destas.



(silêncio sorridente)


a verdade é que o adulto também adora aquela criança, como se tratasse de uma filha (faz parte da personalidade e encaixa na profissão); entre todas as crianças que vão entrando e saindo da vida, todas têm um papel de um pouco filhas. Ripostou-se a resposta entalada com "eu também gosto muito de ti, mesmo muito!" e a artista continuou o seu desenho com um enorme sorriso, enquanto se sentia cintilar o olhar mais alto e desarmado...



Existe uma capacidade extraordinária e clara de se ouvir a sinceridade de uma criança. Surpreender pela liberdade dos sentimentos traduzidos em palavras, em abraços e sorrisos... A simplicidade de aplicar uma palavra que não se sabe bem o que é mas que, pelas situações e enquadramento, aquele pequeno coração sabe que tem um enorme peso e quer dizer alguma coisa mesmo importante...

Desarmar em ponto pequeno coloca toda a gente e mais alguém num patamar minúsculo perante um mundo :)


Há palavras que nos desarmam, que nos silenciam, que nos matam ou nos dão vida! Nada melhor do que viver!

quinta-feira, junho 11, 2009

De qualquer modo...



"Ele disse que quem dança não pode ser totalmente infeliz. Eu assenti mas acrescentei que eu sou daquelas que acreditam que na dança também pode haver desespero. Porque quem dança procura entender o que há para entender, por isso dança porque procura entender o que há para entender. E porque dançar é Ter no Corpo o sistema do desespero e ter no corpo o sistema da salvação, ter no corpo um único sistema que desespera e salva."
excerto d´ O Livro da Dança, de Gonçalo M. Tavares


"De qualquer modo dança,
De qualquer modo sente.
De qualquer modo o corpo contém o dia.
De qualquer modo as cores e o músculo.
De qualquer modo o coração.
De qualquer modo sempre no fundo a memória.
De qualquer modo sem teorias.
De qualquer modo com
a teoria da poética que é não existir teoria e só existir poética
De qualquer modo a ciência atrapalha um pouco mas não totalmente.
De qualquer modo curiosidade.
De qualquer modo coleccionar montanhas.
De qualquer modo acabar quando o ritmo exige que se continue
O ritmo exige coisas que não devemos aceitar obedecer ser escravos."

Gonçalo M. Tavares

sexta-feira, junho 05, 2009

Na verdade, todos temos momentos mais ou menos mediáticos.
Da minha história reza uma aparição pública nos meios de comunicação social internacional (tirando aquela outra rejeição a uma entrevista breve para o telejornal - não fosse aparecer despenteada).

O que é certo é que apareci na televisão sem que disso estivesse à espera (e tenho mesmo a impressão (vá certeza) que despenteada) - corroborando a teoria de que todos temos o nosso minuto de "fama".

Assim, fui convidada a participar, inesperadamente, com uma prestação individual num debate de mesa (de uma conferência a ser transmitida em directo). De facto, até me saí bem na resposta às perguntas... até ao momento crucial da aparição curiosamente simples da questão que, desfez qualquer resquício de reputação séria que foi transmitindo ao longo do meu discuso (claro, para aqueles que consideram que uma pessoa despenteada pode ela mesma ser séria e respeitável) .

Ora, surgiu então o : "Qual o livro que está a ler neste momento". E vai daí que, eu (desconfio que com olhos arregalados de aflição e com suores a escorrerem-me pelo corpo) dirigi-me ao meu colega do lado numa súplica de pedido de ajuda disfarçado mas... nada.

E, para não fazer daquele silêncio uma "incoerência sobre os argumentos anteriormente dados acerca da importância dos hábitos de leitura" e não me lembrando de usar a mentirinha inocente, o nome respeitável de um dos livros obrigatórios que temos que ler na escola ou desviar a boquinha (distraidamente claro) do microfone, balbuciei convictamente (diria até genuinamente) : " A Igreja das meninas mortas" .

Para a próxima prometo que tentarei não incluir mortes, sangue, pedofilia e psicopatologia num só livro já que, temendo um incidente semelhante, até então nunca mais li nenhum policial.

O que é certo é que, por vezes, respondemos sem dificuldade a questões do âmbito geral, sobre ideologias que defendemos ou opiniões que a sociedade nos exige, mas quando toca a questões pessoais, fazemos por pensar nas respostas "politicamente correctas" em troca da nossa verdade. Isto acontece porque, invariavelmente, as impressões valem o que valem e nunca são o resultado dos bocadinhos de revelações que nos vão fazendo mas sim de impactos...


"Parece que está morta a metafísica e que a verdade adormeceu,
sonâmbula,nos corredores vazios
onde, às escuras,
se vão cruzando alguns milhões de frases
dos meus contemporâneos.
Todavia, falam de tudo com o entusiasmo
de quem lança «propostas» decisivas
e percorre as «vertentes» de novos caminhos
para a humanidade,
enquanto saboreiam a cerveja sem álcool,
o café sem cafeína e sobretudo o amor sem amor,
pra conservarem o equilíbrio físico e mental."

Fernando Pinto do amaral