terça-feira, fevereiro 16, 2010

Calendário


Um ano... um ano e uns dias...



O tempo passa a voar e parece que ainda não passou nada. A passagem constante e normal dos dias torna-se uma coisa tão rotineira e rápida, comum e simples que nem se consegue fazer notar as semanas, os meses e os anos a passar. Só as datas festivas marcam com maior ênfase o rasgar de cada dia.



Passou um ano e pouco... um ano?! ISto é imenso! Parece que, mesmo depois desta corrida de dias, continua tudo tão igual, semelhante ou sem grandes novidades. A verdade é que, se olhar para as coisas com um maior cuidado, com mais atenção e com um pouco de amor no olhar, encontram-se tantas coisas diferentes, tantos avanços, recuos, aprendizagens... é deliciosa a panoplea de coisas que se guardam deste ano que já avançou. Um salto para o escuro, desconhecido e para uma certa aventura, sem qualquer garantia de nada e com maior probabilidade a sair furada, acabou por se tornar numa coisa certa e com pernas para andar... o bebé de 1 ano que agora tende a manter-se seguro e quieto no seu lugar, mas sempre a crescer.






Não se conhece todos os caminhos, não se sabe como chegar a todos os lugares mas, sabe-se chegar aos lugares seguros e que trazem uma energia diferente: sabe-se chegar ao mar, sabe-se chegar aos pontos de encontro, sabe-se chegar à casa dos amigos, ou, pelo menos, sabe-se o número de telemóvel para combinar alguma coisa. Não sei de tudo, mas sei alguma coisa; não procuro tudo, mas encontro muita coisa que não estava à espera; não encontro o que procuro, mas também não sei bem o que procuro.






Um ano... amizades, momentos de muitas lágrimas, de rir até cair para o lado, vaguear nas ruas, conhecer praias, conhecer lugares que se tornam pontos de passagem obrigatória, arrependimento/certeza, conversas e silêncio, enfrentar as coisas ou fugir delas, sorrisos e abraços cheios de amor apesar do tamanho XS de quem os dá... Orgulho! Orgulho e vitória em muito daquilo que se consegue conquistar e viver! Orgulho na luta e não no chegar ao spot; finalmente, orgulho em descobrir que se consegue olhar para o lado positivo da vida, sem querer duvidar de nós e ceder ao medo ficando estagnado e pela "zona de conforto".






UM ANO e continuo a desejar, sonhar por e com tantas coisas que parecem não chegar mas, um ano passou e sinto-me com um lugar meu, uma conquista e vitória, acompanhada e capaz de acreditar que com a simplicidade de quem somos conseguimos chegar a algum lugar que valha a pena. Um ano e, poderia dizer que existe alegria em muito do que este ano trouxe e desafiou.






Contagem a somar para o 2º ano... traga ele o que trouxer, há-de chegar cheio de novas coisas, muito que aprender e viver!!!

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

Vento, chuva, frio e pensamentos viajantes

Começa uma nova semana... passou o fim-de-semana a correr com aquela data que nada me diz a não ser "bora marcar o jantar das 3 de sempre" e, apesar da distância, cá nos juntámos nós na capital:)
Agora, chega outra data festiva, o Carnaval: adorado por uns e odiado por outros, confesso que fico no meio! Claramente que acabo por viver muito dele por causa da pequenada que tanto valor e importância dá a estes dias em que o mundo da magia e imaginação é rei no mundo real; e onde todos podem sair um bocadinho da casca e divertir-se sem grandes medos ou vergonhas.
A manhã prometeu frio e chuva... ouviu-se um silêncio imenso e uma disposição igualmente mais silenciosa. As ruas estavam a acordar enquanto se abria a porta e enquanto percorria o caminho de todos os dias. A luz ainda teimava em ficar meio escondida por trás das nuvens e dos prédios altos. Abri a porta e estava tudo silencioso, fechado e parado, como se fosse a única pessoa a sentir o tempo correr e ficasse à espera que todo o resto do mundo acordasse.
Entrou-me pela porta o primeiro sinal de vida por entre o vento e a chuva e daí em diante, foi "sempre a somar", apesar do sono e da contagem até ao regresso, de uma forma breve, ao quente da cama que deixei "em aberto".

Dias chuvosos e frios dão que pensar: procura-se o aconchego que conforta e os únicos que vão vaguear são os pensamentos que se perdem por entre o frio, um palpitar do coração, o respirar da alma e o calor da fogueira.
Passado, presente e futuro encontram-se por entre recordações, imagens reais e desejos. Fecha-se então a porta, roda-se a chave, faz-se o caminho até ao conforto de um lugar quente, na melhor companhia para uma conversa que vá fluindo... até o sono chegar e envolver tudo...até ao dia seguinte que se deseja melhor.

quinta-feira, fevereiro 11, 2010


Gosto daquela ideia romanceada de que cada ruga conta uma história. Como se a inspirar a metáfora bonita do passar dos anos como sinónimo de riqueza de experiências.

Em boa verdade, ser sénior não é necessariamente símbolo de mais sabedoria mas sim da representação da acumulação de estórias.

Com efeito, à medida que vivemos mais tempo, temos cada vez mais tendência para nos diferenciarmos e termos cada vez menos pontos em comum - E tornearmos cada ruga como um traço vigoroso da benesse que é vida. A nossa própria vida… assim… vincada também pela diferença…

sexta-feira, janeiro 29, 2010

E se todos os “olás” escondessem trocadilhos?

Ás vezes tenho esta estúpida mania de romancear a vida e as coisas que nela podem acontecer. Mas estou certa de que não sou uma romântica. E estou também certa de que me acontecem coisas (algumas mesmo curiosas) tal como vão acontecendo coisas a todos nós, mas que eu gosto de coleccionar como os meus momentos verdadeiramente imprevistos...



Estava de regresso do Porto, erguida na penumbra, enquanto se augurava a vinda do Comboio...
Passa por mim um Senhor e olha-me fixamente nos olhos enquanto eu finjo que não me apercebo... E faz a ronda uma e outra vez, até que decide interpelar-me com um: "Vamos para Lisboa"?
(Como se desejássemos todos ir ao encontro da nossa capital privada, como sinónimo de mais oportunidades, da fuga das pequenas rotinas)


Franzi o sobrolho na tentativa de fazer a carantonha mais assustadora que conseguia (pensando para mim mesma: Confirma-se: só atraio deficientes, velhinhos e... doidos".

E continuou: "Se eu tiver uma boa viagem, também vai ter"
(Como se esta coisa de dependermos uns dos outros fosse mesmo verdade!)

Deduzo que a minha cara tenha desprendido uma expressão ainda mais assustadora mas não resisti em responder: "Mas o que é que o senhor quer?")
(Esta estúpida mania de não sabermos esperar, de desconfiarmos de tudo o que não seja expectável e impormos barreiras em tudo o que não nos é familiar. A velha história de associarmos o termo viagem a esta coisa que tem o nome de vida e que teimamos em querer sempre que seja boa.)

Não me respondeu mas depreendi que quisesse um pouco de conversa trivial e assim foi.
Quando o comboio chegou despediu-se rapidamente dizendo que tinha que ir para a frente.
(aliás, queremos sempre todos ir à frente… sempre em frente…)

“ Eu disse-lhe, se eu tiver uma boa viagem também vai ter. Posso conduzi-la?” – Disse ele e desapareceu em passo rápido.

(Sim, era o maquinista. Sim, às vezes tenho mania de romancear a vida, como se fôssemos sempre conduzidos por outros e condutores de outros. Sim, às vezes aparecerem-nos só pessoas simplesmente à procura de vida. Porque viver é dizer “olá” a tudo o que nos aparece sem grandes barreiras).

Mas eu nunca fui romântica… E segui viagem…

"Pudim de Natal" by João Manzarra

Porque há sempre o lado divertido da vida e, este rapaz, João Manzarra, tem um certo toque especial que eu ADORO :)
Numa sequência de vídeos (a velha saga de ver um e depois puxa-se de outro, e outro...) não me cansei de rir e ver as formas de estar. Fica a música que ficou no ouvido e dá pa cantar "músicas de natal para a páscoa" ;)
Enjoy it!!!


domingo, janeiro 24, 2010

"(Só) P'ra Sempre" =)




Descoberta, por acaso (ou não)! Lúcia Moniz, uma grande portuguesa:)


Ando sobre água
Perdida na corrente
Navego a direito
E vou de trás p´ra frente
Ando sobre a água e o vento está quente

Hoje olhei p´ra ti
E não vi o que eu queria
Liberdade à noite
E a solidão no dia
Hoje olhei p´ra ti
Senti-me tão fria
Tão só...

Agora diz-me o que é que eu vou fazer
A dor é forte e eu vou sobreviver
Eu não me entrego, fico
Longe de ti
P´ra sempre
Longe de ti, sem
Poder pensar no que eu faço
És o meu último fracasso

Hoje quis ser tudo
P´ra ti até morrer
Olhar para nós
Ver cidades a arder
Hoje quis ser tudo
Até me esquecer...

... até me esquecer
Eu vou-me embora e tu vais ficar
Só p´ra ver
E já não há nada a perder


Agora diz-me o que é que eu vou fazer
A dor é forte e eu vou sobreviver
Eu não me entrego, não volto a ter
Mais ninguem

Só, p´ra sempre
Longe de ti sem querer pensar
No que faço
És o meu último fracasso

quarta-feira, janeiro 20, 2010

"O segredo" sugerido

Numa tarde de sábado decidimos sair de casa, mesmo com chuva, e seguir para a multidão.
Percorremos os lugares de sempre, numa "parecida rotina" de sempre. Saltitámos das fotos para o bar. Trocam-se palavras e opiniões entre o saborear de algo mais doce e apetecível... que bem que sabe!
Após o momento de pausa segue-se a passagem mais que obrigatória pelo mundo dos livros dos mais pequenos (o espaço infantil tem cada coisa fascinante que, não fossem os preços mais que redondos e elevados, traríamos uns quantos livros de cada vez que ali passassemos). Mexer, remexer! Avançar e recuar; abrir, folhear, trotear umas breves frases do livro... ali ficamos sem noção da rapidez com que o tempo passa e deixamo-nos levar.

Entre um livro e outro, gargalhadas e piadolas, a minha maravilhosa contadora de histórias (com quem partilhei 4 anos de curso e agora, quase 1 ano de vida na capital) que delicia os ouvidos de quem a houve contar (não ler) uma história, começou a declamar com aquele seu jeito e magia, uma das histórias que tinha decidido trazer comigo. Começámos a empolgar-nos e, olhei para o lado quando vi um sorriso simpático de olhos postos em nós. Ali ficámos por mais uns minutos. Na continuação daquele momento saiu por detrás duma estante a "senhora do sorriso simpático", pedindo licença para dizer uma coisa. Veio parabenizar a minha contadora de histórias pois achava que ela devia conseguir transmitir aos meninos a magia dee sonhar ao ouvir histórias :) Depois descobriu que éramos educadoras e ali ficou um tempo a falar de coisas dela e a dar os parabéns da capacidade de fazer a pequenada sonhar.
Aproveitou para dizer que esteve algum tempo à espera do momento certo para a abordagem mas, como não encontrou fez questão de ganhar coragem e não ir embora sem dizer o que queria, mesmo podendo não servir nada.

Perguntou se poderia sugerir mais uma coisa... acompanhámos a senhora até outra estante (de livros mais "crescidos" e onde raramente passo os olhos). Sugeriu que conseguissemos ver o filme antes de passar para o texto do livro: "O Segredo" de Byrne Rhonda que diz-se falar da lei da atracção. Vincou muito que aquele livro a tinha feito mudar muito da sua forma de vida e deu alguns exemplos. Pouco depois, após breves minutos a conversar (mais a ouvi-la) voltámos ao nosso caminho com uma sensação estranha mas... ficámos com o bichinho da curiosidade quanto ao filme...

Fica a sugestão aberta a todos... :)

Qualquer um pode ser abordado por alguém nos sítios mais normais, mais comuns só por olharem para a forma de estar do momento e, quem sabe, não nos podem ensinar alguma coisa.
Naquele momento, reparei que... não perdemos nada em dizer o que pensamos: dizemos e cada um faz o que quiser com o que lhes é dito mas, fica dito e isso pode fazer a diferença :)

quarta-feira, janeiro 13, 2010

Em suspiro...



Se a todo o instante inspiramos porque é que às vezes nos falta a "inspiração"? ;)

terça-feira, dezembro 29, 2009

Quando fazemos dos lugares a nossa casa...

Perguntam-me muito como é voltar a casa...

Gosto mais de pensar que fazemos dos lugares onde estamos a nossa casa...
Que podemos ter o espírito nómada mesmo estando no sítio que nos habituou a viver...
Que somos sempre convidados a entrar em novas casas e a reconstruir sempre a nossa...

"

A nossa casa ,à partida, dá-nos espaço para podermos viver..

Como construir uma casa?

(aceitam-se sempre sugestões de engenharia e arquitectura ;))



sexta-feira, dezembro 25, 2009

A todos um Bom Natal


[Postal by Ana Simões]

quarta-feira, dezembro 16, 2009

Mais uns (ex)certos

«Quando amamos alguém, não perdemos só a cabeça, perdemos também o nosso coração. Ele salta para fora do peito e depois, quando volta, já não é o mesmo, é outro, com cicatrizes novas. Às vezes volta maior, se o amor foi feliz, outras, regressa feito numa bola da de trapos, é preciso reconstruí-lo com paciência, dedicação e muito amor-próprio. E outras vezes não volta. Fica do outro lado da vida, na vida de quem não quis ficar do nosso lado.»

«Para todas as mulheres que viveram um grande amor.
A todos os homens que o perderam»

Margarida Rebelo Pinto, in Dia em que te esqueci

sexta-feira, dezembro 04, 2009

Cântico Negro


"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces

Estendendo-me os braços, e seguros

De que seria bom que eu os ouvisse

Quando me dizem: "vem por aqui!"

Eu olho-os com olhos lassos,

(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)

E cruzo os braços,

E nunca vou por ali...


A minha glória é esta:

Criar desumanidade!

Não acompanhar ninguém.

- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade

Com que rasguei o ventre de minha mãe


Não, não vou por aí! Só vou por onde

Me levam os meus próprios passos...


Se ao que busco saber nenhum de vós responde

Por que me repetis: "vem por aqui!" ?


Prefiro escorregar nos becos lamacentos,

Redemoinhar aos ventos,

Com0 farrapos, arrastar os pés sangrentos,

A ir por ali...


Se vim ao mundo, foi

Só para desflorar florestas virgens,

E desenhar meus próprios pés na areia enexplorada!

O mais que faço não vale nada.


Como, pois sereis vós

Que me dareis impulsos, ferramenttas e coragem

Para eu derrubar os meus obstáculos?...

Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,

E vós amais o que é fácil!

Eu amo o Longe e a Miragem,

Amo os abismos, as torrentes, os desertos...


Ide! Tendes estradas,

Tendes jardins, tendes canteiros,

Tendes pátria, tendes tectos,

E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...

Eu tenho a minha Loucura!

Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,

E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...


Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.

Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;

Mas eu, que nunca principío nem acabo,

Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.


Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!

Ninguém me peça definições!

Ninguém me diga: "vem por aqui"!

A minha vida é um vendaval que se soltou.

É uma onda que se alevantou.

É um átomo a mais que se animou...

Não sei por onde vou,

Não sei para onde vou

- Sei que não vou por aí!



José Régio

quinta-feira, dezembro 03, 2009


Há na intimidade um limiar sagrado,
encantamento e paixão não o podem transpor -
mesmo que no silêncio assustador se fundam
os lábios e o coração se rasgue de amor.
.
Onde a amizade nada pode nem os anos
da felicidade mais sublime e ardente,
onde a alma é livre, e se torna estranha
à vagarosa volúpia e seu langor lento.
.
Quem corre para o limiar é louco,
e quem o alcançar é ferido de aflição...
Agora compreendes por que já não bate
sob a tua mão em concha o meu coração.

Anna Akhmatova


segunda-feira, novembro 30, 2009

Aconteceu...


Planear... é o que o ser humano tem tendência a fazer a vida inteira. Planear os dias, as viagens, as datas festivas, as saídas à noite, os jantares com amigos, os cafés, ... tudo se planeia (ou pelo menos tenta-se fazer os planos de forma a tudo estar controlado). Mas, como tudo, há alterações de última hora, mudança de planos, prioridades que ultrapassam tudo...


Nem sempre as combinações de última hora são um desastre, podem mesmo tornar-se numa situação e num desenrolar de momentos fantásticos e intensos. Podem mesmo ser os melhores planos "não planeados" de sempre.


Aconteceu... há muito tempo que não me lembrava de viver uma noite "não planeada" com companhia "não pensada". Tudo na mesa de um café, após um dia longo de trabalho... o frio ameaçou cancelar e recuar mas, passou-se para um jantar a 3, bater na porta de cada uma das nossas casas e seguir viagem para um cantinho com música envolvente e harmoniosa a terminar com música rock, alguma dança e mais companhia. Um somar de situações e pessoas que podem fazer a diferença.


Aconteceu... deixar que o tempo avance sem controlar o relógio. Estar no momento sem viajar muito pelos outros planos e irritações exteriores... Uma noite diferente, em óptima companhia e sem planos até acontecerem por si só.


Aconteceu... haver tempo para os outros e tempo para si mesmo! Vaguear nas ruas com a brisa fresca, as mãos a gelar e os olhos a cintilar com a harmonia que a rua infiltrava em cada poro. Ar puro, fresco e um cheiro a liberdade e desprendimento. Sorrisos, risos que chegaram com uma companhia surpresa mas muito bem vinda, não fosse o tempo (ou a falta dele) andar a desviar os caminhos de uns e outros.


Aconteceu... adormecer porque sim, andar na chuva porque o chapéu ficou em casa com a pressa de chegar a horas, voltar a adormecer sem querer contrariar ou sem forçar a uma saída para o frio que parecia assustar lá fora.


Aconteceu... acordar e sair, mesmo com o frio mas com uma luz leve a cair do céu que, logo sumiu à medida que as rodas percorriam a estrada em direcção ao rio. Tinha um lugar mesmo à minha espera, tal como uma companhia que trazia muito que contar por dentro.

Sentir um sabor doce, leve, escorregadio e algum granulado que rebentava ao enrolar-se na língua quente... o sabor a laranja percorria todos os cantos da garganta e do cor, e que bem que soube. Brincar com o copo, olhar para todo o ambiente e cair no conforto dos sofás que gritavam por um corpo caído e relaxado... assim foi! Risos, sorrisos e "abrir de portas" que se fechavam a si mesmas... abraços e toques suaves de cumplicidade "não perdida" nem desgastada com o tempo "ausente"... soube bem!


Aconteceu... voltar a sentir que não é preciso usar todas as palavras, que não é preciso abraçar para dar um abraço, sentir o quão bom é poder dar colo e fazer alguém sorrir o tempo todo sem esforço ou intensão... é bom querer fazer bem (e fazê-lo realmente) a alguém, mesmo que implique ser-se duro numa fase inicial... o final é que conta!


Aconteceu... a surpresa das palavras escritas numa mensagem, a surpresa de um tilintar de sons, a chegada do aconchego de uma amizade duradoura, a surpresa de um anoitecer em que a tranquilidade chega e vai como um baloiço!


Aconteceu... que passou um fim-de-semana a voar e ... aconteceu o sol brilhar e a chuva cair mas, ainda assim, muita coisa aconteceu e, aconteceu sem planos!


Expressões que marcam os dias ...


Nothing is ever as it seems

Lamento

...é por ti!


E assim os dias correm e a vida também!

quinta-feira, novembro 26, 2009

domingo, novembro 15, 2009

Os exclusivos das estórias demoram-se sempre pelo caminho…

Reconheci-te o remorso. A tentativa sôfrega para abrandar a culpa. Na verdade, é isto mesmo que nos move, a culpa e o medo…
Apetecia-me afagar esse teu ar fatalista com abjurações falaciosas…Cobrir o teu medo de suavidade, à semelhança do que faz o som de música caseira às preocupações laborais…


És meu convidado neste despertar, onde a espera é censurada… Sustemos a respiração para não fazer muito barulho porque sabemos que o silêncio enternece… Um silêncio que se esfrega contra todos os poros da pele…

Proferes, cuidadosamente, as palavras da trama que escondes (convencendo-te de que quanto mais verdadeiro, mais poético) e ludibrias-me com a tua sagacidade… mas bem sabes que sempre gostei de versões diferentes…


(Cover de Pixies)

sexta-feira, novembro 13, 2009

"1 Mensagem de..."

A noite fala connosco deixando-nos sussurrar no meio da floresta perdida aquilo que ainda encontramos... E sentimos como semente, flor, fruto em nosso ser... Encontro uma casa abandonada onde me alojo sentindo as vibrações de quem a habitou outrora, revelo o passado das suas paredes. Assustada, volto para a escuridão da floresta... Onde me perco... E talvez me encontre... Onde a tua é mais verdadeiro

Wipa, 13 Novembro de 2009
Há mensagens que chegam na melhor altura, como pessoas que surgem inesperadamente reflectidas num tom de alma incrivelmente suave e semelhante... As palavras têm um dom e um toque especial, tendo em conta quem as diz, quem as escreve ou solta no simples olhar...
Obrigada, Wipa e... "Apetecia-me contar-te um segredo" :)

quinta-feira, novembro 12, 2009

O Segundo Desejo


(...)


De repente, no meio da história, apareceu o Génio. (...)

Estás tão crescida! Mas falta-te qualquer coisa...Já sei! É o teu coração. (...) E consegues ser feliz, mesmo sem o teu coração? - perguntou o génio preocupado com ela.

- Acho que sim. Pelo menos não penso nisso. Trabalho tanto que nem tenho tempo para pensar.

- Tapar uma coisa não é o mesmo que esquecê-la - advertiu o Génio.

- Eu sei (...) mas agora é melhor assim.

- E porque não pedes outro desejo? (...)


- Pode ser - concordou. - Quero que açguém encontre a concha onde está o meu coração e ma ofereça de presente.

- Está bem - respondeu o Génio. - Assim que eu encontrar a pessoa certa, resolvo-te isso.


E desapareceu mais uma vez, sem que mais ninguém o tivesse visto.


"Só os Génios é que conseguem aparecer e desaparecer desta maneira", pensou ela.





in A rapariga que perdeu o coração, de Margarida Rebelo Pinto

terça-feira, novembro 10, 2009

O primeiro desejo

(...)
Concha ficou em silêncio. Até que no seu espírito encontrou uma solução.
- Então vais fazer uma coisa mais difícil: escondes o meu coração dentro de uma concha no fundo do mar e eu fico cá para a minha Mãe não se sentir sozinha.

(...)
O seu coração vivia numa concha, perdido no fundo do mar. Ninguém sabia onde ele estava. Nem mesmo ela. Só o Génio, mas os génios não aparecem quando nós queremos (...) podia até dar-se o caso de ele nunca mais aparecer.
"Não faz mal", pensava ela. "Se alguém encontrar o meu coração, há-de descobrir onde moro e um dia eu vou tê-lo de volta."

(...)
Todas as noites sonhava que vivia dentro da concha onde estava o seu coração e foi assim que conseguiu crescer sem elouquecer de tristeza.

(...)
Concha nunca contou à Mãe o que o Génio fizera. Mas ela sabia, porque as mães sabem sempre tudo. Nem sempre revelam que sabem, mas sabem sempre.
Por isso a Mãe nunca lhe perguntou onde escondera o coração
(...) uma pessoa tem de saber proteger-se quando está muito ferida senão pode morrer. Foi o que Concha fez.



in A rapariga que perdeu o coração, de Margarida Rebelo Pinto

quinta-feira, novembro 05, 2009

Disseste-me que os lugares permanecem....



Sei bem que a memória é traiçoeira…
Sei bem que, por vezes, recordamos as coisas de acordo com as nossas percepções pessoais…
Sei bem que, fazemos por preservar determinados factos em detrimento de outros… ás vezes os melhores, outras vezes os menos bons...
Sei bem que o prazo da memória não é ilimitado...

Sei bem que construímos sempre as nossas memórias… e que também as podemos descontruir…
Mas ,e quando elas se começam a desvanecer sem que tenhamos nisso algum auto-controlo?

Contudo, o lugar que ocupamos permanece sempre... se não é em nós... é em quem está de perto...

"...queria fazer do amor um espaço que me ocupasse inteira."