domingo, julho 17, 2011

Há tempos estava na estação de comboios envolvida no meio da multidão apressada quando me prendi nuns escritos de uma t-shirt : " Eu sou o mais bonito" - Ao ler aquilo fui inundada por pensamentos que, instintivamente,me fizeram olhar para a cara do dono da t-shirt classificando-o como convencido.
Mas em baixo continuava a frase " ... quando não estás a olhar para mim". E deu para perceber que, os dois, desprendemos naturalmente um esboço de sorriso. " Eu sou o mais bonito quando não estás a olhar para mim"!


Será certo ambicionarmos sempre ter uma imagem correcta, equilibrada e "forte" para os outros ( qualquer que seja o que sejamos está sempre á mercê de julgamentos pré-morais )?

Sérá que não é melhor deixarmo-nos ir até ao fim (de rajada) sem o risco de nos perdermos em preconceitos vagos pelo caminho?

Levamos o que somos ao peito mas será que todos reparam ou vêm apenas metade do que somos?

terça-feira, maio 24, 2011

Quando tombamos é sempre para o lado

Ele descia as escadas lentamente numa marcha impotente, dolorosa. A mobilidade do corpo reflectia também a sua expressão. Pausada, quase apática. A precisar de suporte.

Ela ia do lado direito a agarrar-lhe a mão. Notava-se na sua voz que acreditava na volupia das palavras como marcadores entendíveis, geradores de bem estar. Fazia-o empaticamente e não minto se dizer que se lhe adivinhava alguma pena no olhar. Zelava como podia. Com cuidado, emanando carinho e diria até conseguir transmitir alguma leveza áquele corpo rígido e pesado. Assim, apenas por ser quem era. Calma!

Do lado esquerdo ia a outra. Quase que a morder o lábio por dentro. Estava ali como que a mostrar qualquer coisa a ela própria. Senhora dos desafios, que não podia deixar nada a meio. Encarava-o, sem saber, como um vitória pessoal, algo que conquistaria, a percepção de se dedicar a grandes causas e ostentá-las como resultado da sua competência. Uma espécie de esforço sobrehumano que só alguns tinham e da qual ela se orgulhava de fazer parte.Pouco olhava para ele. Olhava em frente, não fora aparecer algum obstáculo que a impedisse de levar a cabo a sua nobre tarefa.

E ele caminhava assim. Apoiado por estes dois "braços"...



sábado, maio 14, 2011

Mudanças



Começa pelo gerir a ideia de que vai haver mudança. Sonha-se com a perfeita mudança: pormenores de tudo, a sequência do tempo e forma como vai acontecer (porque a cabeça quer que seja assim para ser bem e correr bem). Dá-se um passo em frente e sente-se o pé de trás a tremelicar. O olho esquerdo vê em frente e o direito olha para trás. Divide-se tudo!! A vontade de manter o conhecido e a aventura do desconhecido, do desbravar caminhos e tentar que tudo se torne melhor ainda do que haviamos deixamdo atrás, mas... atrás temos um livro de histórias!! Tem capítulos marcados, páginas vincadas e frases sublinhadas por momentos únicos e tão especiais à sua maneira. Personagens que entram e saem de cena ou, simplesmente, entraram e ali ficaram. Mudar os hábitos e criar novos, mudar de ares para respirar novos, ensinar o novo caminho a quem o quiser conhecer e fechar caminhos para quem tem medo da aventura. Mudanças!!!



Tirar tudo do lugar e deixar...vazio! Mas vazio para encher outro espaço que precisa daquela vida que se embrulha, com cuidado e atenção, se coloca numa caixa, se fecha com fita adesiva e se escreve por fora "frágil"! E lá vai, em braços fortes até à bagageira. Come a estrada e é novamente acartada, à espera de ser pousada e... de ser novamente aberta para ter novos olhos. As mudanças são isso mesmo, o desarrumar, o retirar, o deixar vazio e encaixotar; separar tudo o que é preciso e é nosso, para levar, daquilo que fica para trás ou se separa agora da história contada. Levam-se nos braços as preciosidades que irão fazer história!



Chega a hora de tirar, embrulhar, arrumar bem arrumado, fechar, levar nos braços seguros, fazer o caminho e abrir para voltar a encher e dar vida... mas as mudanças são bem mais fáceis quando sabemos que temos outros braços para levar o que é nosso, com mais cuidado ainda, e ajudar a reduzir o peso do cansaço... é nas mudanças que os amigos são os nossos braços e a nossa bússola no caminho; o nosso colo no descanso, e o nosso sorriso no cansaço e nunca, nunca nos deixam sozinhos a menos que cheguemos ao fim!!!




Chegou a hora da mudança... com um sorriso e com companhia para o começar, acabar e recomeçar de novo :)

quinta-feira, maio 05, 2011

Não sei se já tinham reparado mas…


Há muito tempo que não escrevo. Finjo que o faço. Escondo-me por detrás de sonatas pré-feitas, de palavras emprestadas e que subscrevo. De linhas dispersas que deixam a pairar a ambiguidade. A música ajuda a esconder a desinspiração , a dar sonoridade aos espaços vazios. Há dias em que despirmos as palavras, despirmo-nos por palavras, incomoda. Foram demasiados dias.



Talvez me fosse difícil aceitar o portento que os meus textos transbordam. O mel a substituir a argúcia. O romantismo a esvair-se em fumaça. Lermo-nos a nós próprios (sem palavras) nunca é fácil.

Não sei se isto será uma respiração boca a boca ás letras que levo aqui dentro… (de si só)

segunda-feira, abril 18, 2011

Não se escolhem caminhos errados...




Saber aceitar as nossas culpas.

Perceber o momento certo em que as podemos redimir.

Encher de humanidade os nossos gestos.

Encontrar nas palavras a expressão do silêncio.

Denunciar em burburinho o que mora no olhar.

Renunciar ao perdão.

Não se escolhem caminhos errados!
Não se escolhem caminhos errados?

segunda-feira, março 28, 2011

Inter(dito)

Tendência inata para levantarmos a voz sempre que não nos sentimos entendidos. Para copiarmos ingenuamente sotaques num embaraço inevitável que nos leva insconscientemente a achar que seremos melhor interpretados. Percebo cada vez mais que nos meandros do inaúdivel chegamos mais facilmente á comunhão da comprensão. "... quando possível usar as mãos em vez de métaforas..." relembro. Falemos então (sempre) com os olhos sim?

quinta-feira, março 03, 2011

Recomeçar

Recomeça...
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.

E os passos que deres
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.

Enquanto não alcances
Não descanses.

De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar
Sempre a sonhar
E vendo
Acordado,
O logro da aventura.

És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde com lucidez, te reconheças.

Miguel Torga

domingo, fevereiro 13, 2011

" E o dia amanheceu em paz"....



Os convites para rodopiar na vida tardam sempre ;)

terça-feira, fevereiro 01, 2011

A (tua) dor

http://www.youtube.com/watch?v=VnJo_wOiPE0&feature=related

Dores fortes e fracas,
Dores passageiras e dores intermináveis,
Dores físicas e dores psicológicas,
Dores que se vêem, dores que se escondem,
Dores pequeninas, dores GRANDES,
Dores minhas e dores tuas,
Dores sem causa, dores com causa
...
Dor que apenas se sente...só quem a tem!!


Dor de quê?
Dor de alma e de coração; dor de cabeça e de barriga; dor de mãe e de filho; dor de dentes e de garganta; dor de amor ou de ódio...

Tantas dores que nem se sabe bem definir a dor que se sente ou deixa de sentir. Na pele, na alma, no ser ou no braço, tudo é dor, tudo é sentido, tudo é nosso.
A dor de hoje pode não ser a de amanhã; a dor de hoje e de amanhã e depois, por muito que se conheça, não se sabe como a findar. Benuron, brufen, ... nem sempre lavam a dor que possas sentir em ti. As dores deviam sumir quando encontado o motivo. "Cortar a dor pela raíz!".
Há dores que podiam ser descartáveis; dores com tempo definido e momentos certos.
A tua dor é pequenina?! A dor é tua, é nossa?! Como me contas tu a tua dor? Eu sei que dói, mas dói como? Sentes a minha dor? Fazes-me sentir a tua? ... a dor é de quem a tem!(ponto)

A dor pequenina perde-se na imensa alma que temos e fica a moer e remoer, não mata mas mói. Diz-me que dor é a tua, se a pequenina e perdida, se a enorme e que vai matando. Deixa-me tirar o curso de "DORologia" para saber como te ajudar a deixar essa dor e procurar outra, outra que te deixe viver uma outra vida, uma outra dor que não seja a de sempre, a de todos os tempos que terminaram mas... deixaram a tua dor ficar perdida e encontrada.

A tua dor é tua, a minha dor é minha, vem matar a minha dor que eu mato a tua e, doridos neste mundo, vamos durar a dor de vencer a dor que nem é tua, nem é minha!

quinta-feira, janeiro 20, 2011

Nunca te perdeste dentro do próprio corpo?

"Não me interessa a maneira como as pessoas se movem, mas o que as faz mover"

Pina Bausch, 2006

quarta-feira, dezembro 29, 2010

Hei-de escutar sempre notícias do "céu"...



"Não creio nos filósofos, mas cativou-me sempre a sua audácia de pensar.
É bonito, leiam-nos.
Quanto aos poetas sorriam-lhes de longe.
Mas atenção aos grandes músicos, à sua estranha perfeição, à nostalgia que nos invade ao escutá-los.
Quando encontrarem um, não o deixem escapar.
Poderia pensar-se que nos trazem (os músicos) notícias de Deus."

In Albas de Sebastião Alba

sábado, dezembro 25, 2010

domingo, dezembro 12, 2010

Regressar

Voltar a pisar solo africano fez-me sentir outra vez na "nha terra" e recordar umas quantas aventuras perdidas numa outra ilha no meio do oceano. Os objectivos das viagens eram distintos, os lugares e as companhias também (à excepção de uma pessoa que fez todo o sentido em ambas as terras). Viajar... aquela actividade que gostaria de poder fazer mais vezes mas, a vida e o tempo, e muitas vezes os preços, não o permitem com a frequência e capacidade que queria dispôr. Vai-se fazendo!

Um lugar fenomenal... acho que se torna sempre melhor pela presença contínua das pessoas que nos acompanham e fazem de cada momento uma história de encantar qualquer gargalhada. Outra cultura, outros lugares e a distância necessária para se poder deixar serenar as preocupações e confusões da vida. Um verdadeiro retiro para o paraíso do sol e da boa disposição.
Não há como resumir uma viagem onde aconteceu de tudo e que só as expressões, movimentos, olhares e sorrisos, músicas e lugares poderiam ajudar, minimamente, à descrição mais próxima da verdadeira aventura. Sem comentários. Apenas que ainda ficaram outras ilhas e espaços por conhecer e que, uma semana sabe sempre a tão pouco.

Sabe bem chegar, saber que alguém nos espera com saudade e entusiasmo em saber mais de nós. Saber que há alguém que sai de casa para esperar por amigos de uma amiga e os trazer de regresso a casa... é um verdadeiro privilégio a existência de amizades nas nossas vidas. É um verdadeiro dom a amizade de cada um.
É mesmo bom saber que quando vamos para algum lugar fica sempre alguém à nossa espera, a contar os dias do nosso regresso e a aguardar tudo aquilo que trazemos na bagagem para contar. Aguardam um regresso sorridente e o recordar de um abraço adiado por muitos dias fechado. E nós...tentamos não regressar logo pois sabemos que aquele momento é único e não pode esperar enquanto que passamos a vida a achar que sabemos/esperar/com a certeza (que nunca é certa) de que os outros esperam sempre por nós, até nos apetecer... completamente e totalmente errado. Há quem espere, há quem não tenha que o fazer mas... a vida é mesmo assim :)

Regressar à rotina é sempre a certeza de que temos sempre um lugar para ir, onde pertencemos ou onde nos fazem pertencer e nos tornam uma peça do puzzle da vida dos que tocamos... é bom regressar?! Acho que sim... pelo menos regressei sempre até hoje...quando não o fizer saberei se é bom não o fazer, até lá...

Regresso com saudades do que se deixa e do tempo ser sempre contado.

Welcome back and let's get it started! Again!

domingo, novembro 28, 2010

Alguém disse um dia...

«Alguém disse um dia... A vida é curta demais para acordar com arrependimentos. Ama as pessoas que te tratam bem. Esquece aquelas que não. A vida coloca cada um no seu lugar. Tudo vai e vem por uma razão. Se tens uma segunda oportunidade, agarra-a. Ninguém disse que a vida...seria fácil. Só prometeu que iria valer a pena.»

Não sei quem escreveu isto mas, quem o fez, é um comum mortal como qualquer pessoa neste mundo; conseguiu usar as palavras da melhor maneira!

quarta-feira, novembro 24, 2010

Outro mundo, 1x por semana

Solta-se o corpo e solta-se a alma... leve e livre, ao som da música, ao som da vida. Eleva-se o espírito e fecha-se a porta dos mundos de outros dias... vive-se ali! No chão, no ar, com os outros, sozinho... vive-se, sente-se, usa-se e usam-se.
Sai de dentro a força, a magia e energia de um espírito que se solta como vulcão acordado.
Sente-se o corpo, sente-se a mente, sente-se o respirar, o chão, o quente e o frio, ... o olhar e o sorriso... sente-se tudo! Não se sente nada...lá de fora. A vida é cá dentro, espelhada aos teus olhos, aos meus olhos. És tu e os outros, tu que te alimentas daquilo que se faz alimento em palavras e gestos...

Ou amas ou desistes aqui! Ou lutas ou já entraste derrotado! Ou tAdicionar imageme levantas ou nunca deixaste de estar a cair...

Um dia! Apenas um dia para fazer de uma semana uma expectativa, contar cada dia até "aquele" dia. Deixa-se a cama quente de conforto e rompe-se a rua gelada de solidão nas ruas... desafia-se o relógio até chegar à porta com o "olá pessoas" de sempre que solta sorrisos e inicia um Bom dia, já garantido antes de chegar. Como são deliciosas as horas a passar, esvoassantes mas tão degustadas... Almoços corridos e apressados, sorridentes e dançados até... ao momento de desafiar qualquer corpo a desacomodar-se e dar um salto para a frente até ser obrigado a parar porque... o relógio vai parar! Abre-se a porta da rua e... aguarda-se mais uma semana até ao arrancar do desafio de sábado, esse, que todos sabemos e queremos que venha, cada qual no seu espaço, tempo e vida.




Eu... sou feliz, de certeza, todos os sábados em que digo "olá pessoas", entro numa sala, descalço-me num chão sagrado e me deixo guiar e ser guiada... chão sagrado onde a música e a alma respiram: dança!



segunda-feira, novembro 08, 2010



A esperança pode ser bem traiçoeira. Saber exactamente aquilo que se pode (ou não se pode) ou deve esperar pode inibir a nossa centração no aqui e no agora mas também pode fazer com que o saibamos aproveitar com outra motivação.

Por vezes é preciso negar a realidade que se avizinha mas outras é necessário levá-la ao peito como sinal de vida!

Aceitar a realidade é sempre o que nos cabe fazer, mesmo que esta não seja lógica, mesmo que demore tempo...

E andamos sempre desencontrados com as esperanças ( nossas, dos outros e as reais)... mas em esperança constante...

quarta-feira, novembro 03, 2010

E assim...


acabas por rever tudo aquilo que não tinha um reflexo claro e parecia apenas fundo no olhar. Agora, olhas de frente e encontras a imagem nítida e clara daquilo que sempre quiseste ver e não conseguias por estar demasiado em cima, a cegar-te os olhos e a fechar-te a visão do que tinhas à frente. Pudeste olhar e sentir de novo, tudo aquilo que sempre foste e não conseguiste ver porque... agora a luz se acendeu e recuaste até encontrares e reconheceres a tua imagem no espelho de alguém.


Descobre quem tu és depois de saber quem tu foste... só depois é possível olhar ao espelho e saber de qúem é o reflexo=)

sábado, outubro 30, 2010

Código de "um dia"

Quase a mudar de mês... outra vez!!
O tempo stá a voar a uma velocidade estonteante!

Perdi-me no tempo que ficou para trás e fui adiando escrever qualquer coisa por cá... demasiado tempo. Usei o "um dia" ou "outro dia" escrevo e... esse dia nunca chegou realmente. Ouvia-se num filme dizer "um dia" é o código para "nunca"... curiosamente pode aplicar-se a tantas outras situações da vida que me rasgou um sorriso.

Olhar para trás e encontrar neste silêncio de muito tempo tantos momentos por contar e aventuras decisivas. Resta regressar e tentar comprometer-me com aquilo que as palavras conseguem e podem dizer e trazer... sinceridade e história/sentimento!
Aguarda-se pela capacidade de entender e fazer de todos os "um dia" tornarem-se "no dia" e momento exacto para se escrever e cuidar do cantinho guardado e já com uns aninhos simpáticos :) Uma criança a crescer com "pais separados" pela distância mas unidos no mesmo sentido. E sabes que mais, querida companheira?! Quem sabe não voltarei a escrever sobre aquele país que nos conseguiu fazer "criar laços" e "atar nós" com um sorriso imenso e uma "sodade" daquelas "gentis" com o brilho no olhar...
Aguarda-se as novidades dos dias que passam até chegar...:) o dia!

Um dia volto a dedicar-me ao nosso blog: hoje é e foi o primeiro dia ;) com mais 1h que todos os outros deste ano =)

domingo, setembro 05, 2010

Opção: Escolher!




"Quando me escolheste, avisaste logo que não tinhas escolha. Já tinhas escolhido, e escolheste ser fiel a essa escolha. Mas para seres fiel à tua escolha tinhas de te pôr naquela situação angustiante de não ter escolha."

Pedro Mexia

quarta-feira, setembro 01, 2010


O novo álbum dos King of Convenience chama-se " Declaration Of Dependence".
Às vezes acho mesmo que somos dependentes de tantas coisas mas não conseguimos declará-lo explicitamente.
Como se houvesse uma necessidade sórdida de classificarmos dependência como antónimo perfeito de liberdade.
Mas não é nada disso!
Há uma liberdade imensa na consciência das nossas dependências.