Ouve-se um "beep" à distância de um estender de braço. Já houvera outro que o ouvido não conseguiu captar pela distância e embalo do sono pesadamente leve nos últimos tempos...
Num saltitar de dedos e palavras encontra-se uma chamada de retorno... sabe bem ouvir alguém do outro lado a animar um dia com uma luz mais fraca e, uma casa silenciosamente fria.
Entre um aquecer de uma caneca de leite e o bater de uma colher a rodopiar na caneca, chega-se ao final da chamada. O frio intensifica e chama a um banho quente e aconchegante.
Enche-se o corpo do entusiasmo de calçar umas botas para o frio e o chão molhado da rua e sair por aí... Calça-se a primeira e quando se assentam os dois pés no chão... vê-se pela janela o vento e a chuva que cai dura do céu... deixa-se cair o corpo para trás e adia-se a saída para mais tarde, esperando no conforto de umas pantufas quentes e mais leves.
O tempo parece que não avança e parece que o mundo não existe lá fora... tudo em pára...sóa a chuva continua a cair!
Entre músicas e pensamentos a chuva parou aos poucos! Espera-se uns minutos para garantir que não vai aparecer novamente... e soltam-se uns raios de sol. Termina-se o que estava quase a terminar-se e, novamente as botas encaixam nos pés. Pegar num agasalho e preparar para a saída... antes de uma chegada à porta de saída... aparece graniso caído do céu a fazer um barulho incómodo e de alarme a "não sair"!!
O caminho da saída torna-se no caminho de regresso e as botas perdem o andar e encostam-se tristes, ao armário do canto. O único meio de transporte permitido ali ficou, encostado à espera da oportunidade que não chegou.
As horas passam e nada parece facilitar a saída na busca de uma rua qualquer, de um caminho qualquer... sentir o fresco da rua sem que a chuva invada ...
Nada avança, tudo recua ...
Deseja-se que o amanhã se aproxime com um céu menos pesado para que o chão se possa pisar, sem tecto e sem pantufas, mas com umas simpáticas botas de borracha para chapinhas em todas as poças de água que restarem de hoje.
Até lá, talvez uma fuga rápida ao outro lado da rua, na companhia de outro par de botas de borracha no percurso, e companhia para conversa que preencha o espaço e conforte a relação familiar!
Amanhã é outro (longo) dia!
E a vida parada no tempo...