sexta-feira, junho 05, 2009

Na verdade, todos temos momentos mais ou menos mediáticos.
Da minha história reza uma aparição pública nos meios de comunicação social internacional (tirando aquela outra rejeição a uma entrevista breve para o telejornal - não fosse aparecer despenteada).

O que é certo é que apareci na televisão sem que disso estivesse à espera (e tenho mesmo a impressão (vá certeza) que despenteada) - corroborando a teoria de que todos temos o nosso minuto de "fama".

Assim, fui convidada a participar, inesperadamente, com uma prestação individual num debate de mesa (de uma conferência a ser transmitida em directo). De facto, até me saí bem na resposta às perguntas... até ao momento crucial da aparição curiosamente simples da questão que, desfez qualquer resquício de reputação séria que foi transmitindo ao longo do meu discuso (claro, para aqueles que consideram que uma pessoa despenteada pode ela mesma ser séria e respeitável) .

Ora, surgiu então o : "Qual o livro que está a ler neste momento". E vai daí que, eu (desconfio que com olhos arregalados de aflição e com suores a escorrerem-me pelo corpo) dirigi-me ao meu colega do lado numa súplica de pedido de ajuda disfarçado mas... nada.

E, para não fazer daquele silêncio uma "incoerência sobre os argumentos anteriormente dados acerca da importância dos hábitos de leitura" e não me lembrando de usar a mentirinha inocente, o nome respeitável de um dos livros obrigatórios que temos que ler na escola ou desviar a boquinha (distraidamente claro) do microfone, balbuciei convictamente (diria até genuinamente) : " A Igreja das meninas mortas" .

Para a próxima prometo que tentarei não incluir mortes, sangue, pedofilia e psicopatologia num só livro já que, temendo um incidente semelhante, até então nunca mais li nenhum policial.

O que é certo é que, por vezes, respondemos sem dificuldade a questões do âmbito geral, sobre ideologias que defendemos ou opiniões que a sociedade nos exige, mas quando toca a questões pessoais, fazemos por pensar nas respostas "politicamente correctas" em troca da nossa verdade. Isto acontece porque, invariavelmente, as impressões valem o que valem e nunca são o resultado dos bocadinhos de revelações que nos vão fazendo mas sim de impactos...


"Parece que está morta a metafísica e que a verdade adormeceu,
sonâmbula,nos corredores vazios
onde, às escuras,
se vão cruzando alguns milhões de frases
dos meus contemporâneos.
Todavia, falam de tudo com o entusiasmo
de quem lança «propostas» decisivas
e percorre as «vertentes» de novos caminhos
para a humanidade,
enquanto saboreiam a cerveja sem álcool,
o café sem cafeína e sobretudo o amor sem amor,
pra conservarem o equilíbrio físico e mental."

Fernando Pinto do amaral

3 comentários:

Teresa disse...

Sem dúvida que a resposta não foi a mais adequada para o momento, mas que roubou umas belas gargalhadas roubou =)

Tive o prazer de partilhar contigo esse momento, e sem dúvida que é mais uma das muitas história que irá permanecer connosco =)

Mas teve a sua certa piada..

Beijinho

An@ disse...

:)

tu és BRUTAL!!! :)

Podias ter dito que ias aparecer na televisão... iria admirar o pequeno ecrã :) ou ter uma admirável surpresa ao mudar de canal, tal como ao entrar no café;) *

Anónimo disse...

Oh Maria então tu foste à televisão e não disses-te nada?

Ai ai eu quero saber tudinho ;)

Beijo e até um dia destes

Ana Filipa