terça-feira, fevereiro 06, 2007

FIM DO DIA (no lado quente da saudade)


Esperei-te no fim de um dia cansado
À mesa do café de sempre
O fumo, o calor e o mesmo quadro
Na parede já azul poente
Alguém me sorri do balcão corrido
Alguém que me faz sentir
Que há lugares que são pequenos abrigos
Para onde podemos sempre fugir

Da tarde tão fria há gente que chega
E toma um café apressado
E há os que entram com o olhar perdido
À procura do futuro no avesso do passado
O tempo endurece qualquer armadura
E às vezes custa arrancar
Muralhas erguidas à volta do peito
Que não deixam partir nem deixam chegar

O escuro lá fora incendeia as estrelas
As janelas, os olhares, as ruas
Cá dentro o calor conforta os sentidos
Num pequeno reflexo da lua
Enquanto espero percorro os sinais
Do que fomos que ainda resiste
As marcas deixadas na alma e na pele
Do que foi feliz e do que foi triste

Sabe bem voltar-te a ver
Sabe bem quando estás ao meu lado
Quando o tempo me esvazia
Sabe bem o teu braço fechado
E tudo o que me dás quando és
Guarida junto à tempestade
Os rumos para caminhar
No lado quente da saudade


Mafalda Veiga, "Na Alma e na Pele"
*

3 comentários:

long99722420 disse...

hello,I recommend to you the best browser in history,I really loved it,I hope you may want to download and try. thank you.

Maria disse...

:)
Estava a ler isto e lembrei-me de algo que uma vez ouvi: a pele é o orgão humano mais "profundo", porque é ele que contacta com o interior e o exterior!
Na alma e na pele sabe bem, no fim do dia, encontrar guarida no lado quente da saudade!
*

An@ disse...

Obrigada, Mariota :)

é sempre tão bom poder chegar aqui e encontrar-te :)

Ficamos/Ficas marcada(s) na alma e na pele*