sexta-feira, outubro 31, 2008

Enquanto "consumia" a leitura...

Encontrei, atrás do livro de Gilles Lipovetsky (sobre a sociedade de consumo):

“Numa sociedade em que a melhoria contínua das condições de vida materiais praticamente ascendeu ao estatuto de religião, viver melhor tornou-se uma paixão colectiva, o objectivo supremo das sociedades democráticas, um ideal nunca por demais exaltado. Entrámos assim numa nova fase do capitalismo: a sociedade do hiperconsumo.Eis que nasce um terceiro tipo de Homo consumericus, voraz, móvel, flexível, liberto da antiga culturas de classe, imprevisível nos seus gostos e nas suas compras e sedento de experiências emocionais e de (mais) bem-estar, de marcas, de autenticidade, de imediatidade, de comunicação.Tudo se passa como se, doravante, o consumo funcionasse como um império sem tempos mortos cujos contornos são infinitos. Mas estes prazeres privados originam uma felicidade paradoxal: nunca o indivíduo contemporâneo atingiu um tal grau de abandono.”

Excerto do documentário “A história das coisas”:

quinta-feira, outubro 30, 2008

If I were a boy

Quando uma música toca no rádio e faz sorrir porque sim... foi por esta!!!




If I were a boy
Even just for a day
I’d roll outta bed in the morning
And throw on what I wanted then go
Drink beer with the guys
And chase after girls
I’d kick it with who I wanted
And I’d never get confronted for it.
Cause they’d stick up for me.

If I were a boy
I think I could understand
How it feels to love a girl
I swear I’d be a better man.
I’d listen to her
Cause I know how it hurts
When you lose the one you wanted
Cause he’s taken you for granted
And everything you had got destroyed

If I were a boy
I would turn off my phone
Tell everyone it’s broken
So they’d think that I was sleepin’ alone
I’d put myself first
And make the rules as I go
Cause I know that she’d be faithful
Waitin’ for me to come home (to come home)

If I were a boy
I think I could understand
How it feels to love a girl
I swear I’d be a better man.
I’d listen to her
Cause I know how it hurts
When you lose the one you wanted (wanted)
Cause he’s taken you for granted (granted)
And everything you had got destroyed

It’s a little too late for you to come back
Say its just a mistake
Think I’d forgive you like that
If you thought I would wait for you
You thought wrong

You know when you act like that
I don't think you realize how it makes me look
or feel

Act like what
Why are you so jealous
It's not like i'm sleeping with the guy

What

What

I said yo
Why are you so jealous
It aint like I'm sleepin with the girl

But you’re just a boy
You don’t understand
Yeah you don’t understand
How it feels to love a girl someday
You wish you were a better man
You don’t listen to her
You don’t care how it hurts
Until you lose the one you wanted
Cause you’ve taken her for granted
And everything you have got destroyed
But you’re just a boy

quarta-feira, outubro 29, 2008

Cara a Cara


O silêncio, os gestos... podem dizer muito mais que uma frase cuidadosamente pensada e dita!
Fala-me com o teu olhar, gesto e coração!

Miminhos

Não vás embora sem o meu beijinho!
Gosto muito de ti!
Queres que vá buscar a tua água para não ficares rouca?

Frases soltas que parecem tão banais como o piscar de olhos durante todo o dia! Encaixam em momentos surpresa que deixam as palavras presas, o coração a saltitar no peito mas se transformam em gestos "em tom de brincadeira" com um beijo para que o momento passe sem que se deixe cair o rosto de crescido e a imagem de fragilidade apareça estampada!
Pequenas vidas cheias de fragilidades, amor, medo, ... cada rosto com uma história para contar, uma personalidade a ser traçada por entre tantas outras coisas que o olhar de um dia não chega para desvendar.

O tempo é um constante atleta profissional que não tropeça e mantém o seu ritmo. Fica um livro escrito de histórias, mudanças, risadas, ... tanto que o tempo que ainda falta assusta que passe a voar.


Como explicar que o tempo passa e nem tudo permanece como queremos, com quem queremos...? Pequenas vidas que ainda não conseguem entender bem o motivo das mudanças, o motivo de algumas situações que são passageiras e podem suscitar um "voltar atrás" e rejeitar tanto daquilo que havia sido percorrido? Difícil quando o papel de crescidos tem que ser remetido a um falar simples mas que, perante aqueles corações parece ser uma coisa mesmo confusa de entender?!

O tempo vai passando, a angústia começa a apertar o coração crescido de uma adulta-criança que tenta entender para onde são os próximos passos sem o suporte de uma mão para ajudar no caminho... perdem-se umas, ganham-se outras coisas... até ao momento... não se sabe o que se perde mas vê-se o quanto se pode e vai ganhando...

...as vidas de olhinhos abertos, os abraços e beijinhos, os risos e sorrisos, os momentos a dois e em grupo, as histórias e brincadeiras, as correrias e jogos de rua... as vozes que chamam com amizade não com distinção de cargos ou idades...

Aninhas soa tão bem quando se abre uma porta...seja para sair ou para entrar!


terça-feira, outubro 28, 2008

O amanhã que se tornou hoje...


Um Hoje preenchido por uma simples constatação. A da inevitabilidade da existência de pessoas, com quem queremos partilhar os nossos pequenos nadas...

Ainda que com tempestades pelo meio... =)
Ainda que com intervalos de silêncios, para não criar algum tipo de habituação...
Ainda que com pouca coisa que se deixa em suspenso, como que por entre parenteses!
...

sexta-feira, outubro 24, 2008

" Be what you are " *


Para ser lido com o embalo desta sonoridade. como que a deixarmo-nos impulsionar espontanemente ...




Ao principio pensei que fosse um problema só meu… Acreditar na espontaneidade… Houve em tempos que sim, acreditei muito nela!… É que uma vez dando-nos a volta, quando damos por ela já estamos completamente inebriados com a sua possibilidade..

Hoje sou uma devota descrente do encanto iludido da espontaneidade.. Impulsos naturais teremo-los sempre...

(E, apesar da imagem romanceada de que sabe mesmo bem sermos levados pelos nossos impulsos, todos sabemos que ás vezes também é preciso controlá-los).

No entanto, em geral, só nos deixamos levar pelos impulsos nas situações em que sabemos que eles têm uma grande probabilidade de terem repercussões positivas (na nossa vida),nem que seja pelo facto de nos sentirmos mais livres naquele momento.

A questão está no à vontade... no perdurar de uma desinibição repentina... Parece-me até que, dentro da espontaneidade, a inibição não tenha quaisquer reservas em aparecer...E tenho para mim que os momentos que criamos não deixam também eles de ser espontâneos..


Mas, o simples facto de fazermos anunciar a palavra "espontaneidade", de a emitirmos vocalmente, como que a tornando real, deixa-nos num estado de atracção irresistível...como se os ímpetos surgissem da falta de consentimento para que, os nossos desejos mais íntimos possam emergir..


Mas será que a espontaneidade exige sempre intervalos descontinuos de tempo, uma força que actua num espaço demasiado curto?Será que só assim faz sentido?
Tendo a essencia na incerteza, no prazer de uma originalidade inesgotável? Será que cessa a excitação quando há estabilidade?

Não me quero resignar a uma espontaneidade assim...

quinta-feira, outubro 23, 2008

Menos um pedacinho


A vida é feita de surpresas... de coisas (in)esperadas!
Inacreditável a maneira como o ser humano consegue ligar-se entre si; os sentimentos que formam uma amizade, os laços que se entrelaçam com uma criança...
É um orgulho e um prazer pensar que a minha vida será feita de laços com pequenos seres com uma alma bem grande e um coração ainda a crescer mas com a capacidade de confiar em quem cuida deles todos os dias! É mesmo bom mas também é uma grande responsabilidade!

Vêem-se chegar, crescer e partir para um outro mundo... a dificuldade de deixar ir passa por saber que vão crescer e deixar de ser aqueles pedacinhos tão nossos... mas o orgulho de os ver dar passos maiores e ter um sorriso tão brilhante e crescido pode ser um pouco do conforto que fica.

Pelo caminho, podem perder-se pedaços pequeninos... mas que são tão grandes que apertam o coração quase até o deixar "sem ar". O inesperado pode acontecer e ficamos assim...de mãos vazias e coração cheio, das saudades, das recordações... do pedacinho que nos é tirado assim!

Hoje perdi um pedacinho... um pedacinho tão grande por ser tão pequeno mas importante na minha vida destes 2 meses! Julgamos que não temos o suficiente, sentimos o mimo que julgamos estar ali, controlado e presente e... basta o fechar de uma porta com um beijinho e um abraço para poder ser a despedida... sem que se saiba que o amanhã chega um pouco mais vazio e... dai em diante, não volta a preencher-se senão com a saudade e a despedida que não foi feita por não ser sabida como tal.

As despedidas parecem ser algo que não se quer saber ou não se prepara mas... há alturas em que sabê-las deixa um pouco mais tranquila a máquina que definem como "portadora de sentimentos, amor" e tudo aquilo que faz o nosso mundo interior girar.


"Menos um pedacinho" por perto mas mais um que ficou guardado cá dentro.


quarta-feira, outubro 15, 2008

(Des)Arrumado


Abrir a porta e encontrar tudo pelo chão, já nada tem lugar próprio nem espaço reservado. Tudo passa a ser lugar de tudo ou de nada. Um espaço comum a qualquer coisa que se mantinha ordeiramente limpo e arrumado dentro de quatro paredes. Desarrumação nítida e claramente sentida, visível. Prateleiras vazias e um chão que desaparece por entre mil coisas.

Mas... há portas que se abrem, devagar! Tudo está visualmente arrumado, tudo tem lugar, espaço, cor e forma subtil e harmoniosa. Dentro de um dossier não se vê a desarrumação sem que seja aberto. Dentro das gavetas não se sente o reboliço de papelada trocada e empilhada que não tem ordem nem lugar certo, não tem páginas e não tem tema certo!

Sair "de casa" e regressar ao final do dia. Olhar à volta onde tudo mantém a sua posição, ocupa o seu lugar e continua a ter a mesma cor. Apesar de tudo, sente-se uma desarrumação inquietante que deixa o incómodo de quem chega e se senta de cabeça cheia e continuamente a encher ... olhar à volta e ver que tudo é o mesmo, o local não muda mas desarruma-se em algum lugar. Alguma coisa não estará no sítio certo, simplesmente porque sempre ali esteve e não devia estar a partir do hoje. Perde-se a noção do espaço e do corpo... perde-se noção daquilo que realmente está arrumado e daquilo que está desarrumado. Não há a capacidade de chegar e mudar o que deve mudar, nem para conseguir sair e voltar a entrar notando as mudanças...

A "casa" precisa de qualquer coisa que se procura ... sem se saber o que é!

terça-feira, outubro 14, 2008

“Tu és a mulher da minha vida, ela é a mulher dos meus sonhos” *

*Excelente título da banda desenhada de Pedro Brito e João Fazenda.

A acompanhar uma história com este título, parece-me bem esta banda sonora…


Oh No - Andrew Bird

Será pelo simples “oh no!”?
Aperta-me sempre cá dentro quando nos impelem a pensar na premissa de que apenas os sonhos se podem encher de “demasiado”…
Todos nos alimentamos de utopia e realidade...

domingo, outubro 12, 2008

Ouvem-se coisas bem giras

Meu amigo, não sentes
Que sobre a Terra só importa
O que um coração diz a outro coração
Numa mensagem silenciosa?

Vladimir Soloviev



quinta-feira, outubro 09, 2008



As canções de Nouvelle Vague recebem um aspecto mais acústico com ritmos flexíveis e agitadores capazes de reunir estilos de várias partes de todo o mundo..

Gosto muito desta música...
Gosto muito de me entrelaçar em vários estilos...de me deixar viajar por várias partes do mundo...No mundo da fantasia...
E o que eu gosto de dançar em palavras...

Só porque me ando a deixar seduzir pelo rodopio um pouco estranho desta dança... =)

segunda-feira, outubro 06, 2008

Outro aninho


Pois bem! O nosso blog comemora mais um ano (faz 2). Sendo que o post de ontem foi para "comemorar". O tempo parece que voa! Isso acontece quando dividimos o nosso tempo entre pessoas, coisas, ... que gostamos ou sabem bem! Portanto.... 2 anos a dividir este pequeno "grande" espaço com uma gémea que adoro e sinto saudades de ter "pessoalmente" perto e poder partilhar o que temos com os amigos e pessoas que nos visitam. =) Siga em frente! Mais uma chapa gasta! =)

domingo, outubro 05, 2008

Song For a Friend

Gostei!!!






Well you're magic he said
But don't let it all go to your head
Well I bet if you all had it all figured out
Then you'd never get out of bed
No doubt
All the things that I've read what he wrote me
Is now sounding like the man I was hoping
To be
Keep on keeping it real
Cause it keeps getting easier, he'll see
He's the reason that I'm laughing
Even if there's no one else
He said, you've got to love yourself

You say, you shouldn't mumble when you speak
But keep your tongue up in your cheek
And if you stumble on to
You better remember that it's humble that you seek
You got all the skill you need,
Individuality
You got something
Call it gumption
Call it anything you want
Because when you play the fool now
You're only fooling everyone else
You're learning to love yourself

Yes you are

There's no price to pay
When you're giving what you take,
That's why it's easy to thank you
You...

Let's say take a break from the day
And get back to the old garage
Because life's too short anyway
But at least it's better then average
As long as you got me
And I got you
You know we got a lot to go around
I'll be your friend
Your other brother
Another love to come and comfort you
And I'll keep reminding
If it's the only thing I ever do
I will always love
I will always love you
Yes you
I will always, always, always, always love
I will always, always love
I will always, always love, love

Jason Mraz

terça-feira, setembro 30, 2008

Nuno Ricardo

Já lá vão os tempos do Euro 2004 em que eu e a minha irmã decidimos que a ter um filho Homem que fosse Nuno Ricardo!

Esta teoria parece-nos naturalmente bastante razoável por várias ordens de razão. Se nos debruçarmos cuidadosamente sobre os nomes do plantel da selecção nacional 2004 podemos descobrir o NUNO Gomes, o NUNO Valente e o NUNO (Manique), depois vislumbramos o RICARDO (guarda-redes) e ainda o RICARDO Carvalho. Tendo em conta o nosso apelido (Costa), futuramente herdado pelo promissor rebento, alcançamos ainda mais elementos da equipa, nomeadamente o Costinha e o Rui Costa.

E não é que a soma de todos estes nomes perfaz o belíssimo número 7 (vestido pelo Figo) e existente na camisola do Cristiano Ronaldo depois do 1.
Nuno Ricardo Costa (que abarca denominadores comuns de não menos do que 9 elementos do futebol na prestação nacional de 2004) parece-nos então um bom presságio para um percurso futebolístico de sucesso.
Parece-nos a nós que qualquer pessoa que queira singrar no mundo deve muito ao seu nome. Se repararmos não existe nenhuma cantora pimba com um nome menos pomposo do que Cátia Vanessa (senão vejamos Rute Marlene)!
Dada a crise económica parece-me então uma boa reflexão a partilhar… Porque parece-me a mim que o Futebol nunca entrará em decadência monetária…

A ter um filho homem que seja Nuno Ricardo!

sábado, setembro 27, 2008

Passa/Vira(gem)


Passar por uma rua cheia de gente em que nada nem ninguém é conhecido.
Virar a esquina e não encontrar nada de novo.

Passar os olhos num livro, meio à pressa, sem grande atenção e esquecer em que mergulhou o olhar.
Virar cada página com atenção
e pormenor, sem que nada passe adiante sem ser visto... e fica na memória.

Difícil entender o que realmente é passar ou virar quando não se encontra o verdadeiro contexto das palavras, da situação e dos sentimentos que assaltam o
momentos exacto do momento.

Virar parece ser mais inesperado, haver uma quebra que pode surpreender... virar do branco para o preto; virar uma página para um novo capítulo ou para continuar a história que ficou na página que fica para trás.

Passar... parece contínuo, mais pensado e demorado, ainda que posso ser guardado mas... parece tão mais lento e cuidado, menos agressivo e faseado, sem cortes... contínuo... contínuo... um passo de cada vez, em que se pode olhar para trás e ver o caminho que foi feito...

Há coisas que passam, outras que viram! Não sei que momento será... de passagem ou de viragem...

Por enquanto... é passando a viragem do crescer sem se perguntar "já está na hora?"

Passa e vira, vira e passa... e o tempo, enquanto passamos e viramos... VOA!


quinta-feira, setembro 25, 2008

Quando surgem catástrofes sequenciais (ou não)....




... eu espero sempre um beijo antes de adormecer...

domingo, setembro 21, 2008

"Entre palavras sem cor"


Perderam-se as cores...
O pincel que conseguia desenhar cada traço de palavras deixou de mexer... deitou-se na mesa, misturado com a água, os panos, as telas e os lápis de traçar...
As palavras saem simplesmente, sem cor, sem conseguir que a tela saia do traço simples e comum de uma criança a iniciar a arte de falar pelo desenho.

As pessoas que deitam as palavras coloridas nem sempre conseguem desenhar de acordo com o momento, nem sempre têm a inspiração para isso, nem sempre podem pintar nos quadros de quem as rodeia. Podem desenhar sem que se veja no momento e, resta esperar para saber quando se consegue ver a obra de arte que foi "talhada" bem na frente dos olhos.

As palavras flutuam à volta do corpo mas não se consegue captar a capacidade delas tornarem algo diferente. Parecem fluir com rapidez e arrastadas pelo vento... soam a "nada de importante". Palavras escritas que podem dizer muito do nada que se consegue ver...

"Entre palavras sem cor" perde-se a capacidade de desenhar o que se sente e só o pincel da boca consegue mostrar dizendo... usando palavras... com ou sem cor

Just another day...

Dias que passam...
dias vistos como "mais um" em que nada se espera e tudo acontece por si só, sem mais nada, sem nada demais.

Olhar para o calendário e ver o tempo passar, os números mudam mas tudo parece na mesma, pouco ou nada parece mudar, mesmo que se saiba que "nada se repete".

Dias em que não se encontra um equilíbrio e se anda numa constante corda de equilibrismo: ora balança para cá, ora balança para lá. Ouvem-se palavras, vêem-se sorrisos, vêem-se pessoas (des)conhecidas ... tudo acontece mas parece não ter qualquer sentido ou razão para ser assim, simplesmente... acontece!

Dias, dias, dias... passam, correm e era preciso algo mais que "isto"...

quinta-feira, setembro 18, 2008

Sair...


Sair por aí... de música a ocupar os ouvidos. Música leve e melancólica que faz divagar por ventos, marés, mares e por cada pedaço de pele que envolve o corpo e conta histórias vividas, de hoje, ontem, ... do tempo. Sair sem rumo... sem um destino, sem uma hora, uma data, um momento escolhido para o regresso... apenas partir! Viagem sem regresso anunciado! Ficar perdida no encontro com as memórias e sentimentos que os dias vão colocando na prateleira do pensamento e nos arquivos que ficam por arrumar! Uma caixa que acumula e... a seu tempo, a seu ritmo, vai separando pelas divisórias ou...limita-se a ficar "por ali". Sair do "acordado"... mergulhar no sono e no sonho que prende e não deixa escapatória para conseguir caminhar sem pressa, sem preocupação e corrida desmedida. O sonho não passa adiante, não deixa acalmar e a vida parece continuar noite dentro, fechada numa casa, pela janela dos olhos e no sotão dos pensamento. Sair... deixar escorrerem as palavras pelos cantos da boca até acabarem por cair por terra... à procura de um chão ou de um espaço onde fiquem e digam o que vai por dentro do corpo que se move com vontade de...
SAIR POR AÍ!!

quarta-feira, setembro 17, 2008



O meu trabalho agora (se o posso chamar assim) passa muito por escrever, reescrever, pensar no que quero escrever, articular o que escrevo, pensar no que pretendo transmitir ao escrever…
Acho mesmo que isto também é uma coisa que se ensina!

Uma coisa que aprendi foi que se me perguntarem onde estou neste momento posso dizer que estou rodeada de quatro paredes (brancas), que tenho uma janela ao pé e um computador em frente mas, isso na verdade nada diz… Na realidade essa mesma descrição pode corresponder a vários cenários… porque não digo que da janela sobressai um azul de céu forte enquanto as cortinas esvoaçam ao sabor do vento e da melodia que ouço das colunas do computador… porque não digo que nas paredes está uma das minhas imagens preferidas, a preto e branco, com um poema de fundo, e que me sinto acolhida por todos os livros que dispus na estante segundo critérios que fui definindo.




Aprendi ainda que, à semelhança do que acontece num filme comercial, se deve investir nas cenas iniciais, ainda que estas tenham apenas uns míseros segundos de protagonismo. Apesar de no resultado final corresponder a nem um minuto da película total, a curta cena exige sempre um grande investimento económico, uns tanto ou quantos (que é como quem diz umas largas dezenas de milhares) figurantes, a escolha minuciosa de uma banda sonora (quiçá elaborada especificamente para o efeito) ou mesmo um lugar situado noutro ponto qualquer do mundo mas que personifique o ambiente idealizado.
A capacidade de criar imagens mentais, de induzir uma motivação para o que vem a seguir, de conseguir aliar os sentimentos às palavras, esta capacidade de cativar sem pretensões…
Aprendi que investir nisso custa muito e obriga a um cuidado minucioso a que nem sempre estou disposta…

Uma coisa que aprendi também foi a lidar com a minha dificuldade em conjugar isto tudo (lembro-me bem quando me propuseram fazer mais exercício físico na tentativa de aumentar os meus níveis de testosterona no sangue, porque transmitia demasiado nível de estrogénio em tudo o que escrevia =)

Aprendi sobretudo que escrever é mesmo difícil! E que é uma coisa que se ensina… E o que eu ainda tenho para aprender!
Aprendi que escrever pode ser uma coisa bem morosa... =)